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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Fábulas fabulosas para uma juventude non-sense:

Ando sem idéia para escrever uma nova Fábula. Mas para meu deleite sem fim conto com a colaboração de blogs e sites de infinito prestígio. É o caso do site do Aubilbuaobo, que no dia 18 de março de 2009 nos brindou com essa orgasmática fábula sensacional:


A Lebre e a Tartaruga

Por Jão do Aubilbuaobo

"A lebre estava se vangloriando de sua rapidez, perante os outros animais:
- Nunca perco de ninguém. Desafio a todos aqui a tomarem parte numa corrida comigo.
- Aceito o desafio! Disse a tartaruga calmamente.
- Isto parece brincadeira. Poderei dançar à sua volta, por todo o caminho, respondeu a lebre.
- Guarde sua presunção até ver quem ganha. recomendou a tartaruga.

A um sinal dado pelos outros animais, as duas partiram. A lebre saiu a toda velocidade. Mais adiante, para demonstrar seu desprezo pela rival, deitou-se e tirou uma soneca.

A tartaruga continuou avançando, com muita perseverança. Quando a lebre acordou, viu-a já pertinho do ponto final e não teve tempo de correr, para chegar primeiro, pois uma aguda dor consumia seu ânus. A tartaruga havia comido o toba da lebre enquanto esta dormia."

Moralzinha babaca:
"Apressado come cru. O paciente come o cu mesmo"

Postado por Jão


Fonte: http://aubilbuaobo.blogspot.com


(Copiei na cara larga mesmo! Tô nem aí!)


CDX

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Fábulas fabulosas para uma juventude non-sense:



Os camelos


Livre adaptação por Leandro CDX Morais


Uma mãe camelo e seu filho camelinho estavam por ali, à toa, sem porra nenhuma pra fazer... foi quando o piralho camelinho começou com aquela chatice de criança, de ficar perguntando o porquê das coisas:


_ Ooooh mãe! Manhê! Oh mãeeeee!!!!!

_ Fala estrupício! - já respondeu a mãe camelo sem paciência.

E o moleque era metido a falar inglês ainda:

_ Mammy! Mammiiieeeee! Whatta hell is essa parada nas nossas costas?

_ É corcova, caralho!

_ I don´t understand mammiiiieeeee! É corcova ou é caralho?

_ Corcova seu puto!

_ E por que os camelos têm corcovas? Why? Why?


_ Affff... moleque mala... é que nós somos animais do deserto, precisamos das corcovas para armazenar água e por isso mesmo somos conhecidos por sobreviver sem água.

_ Right! Boa resposta mammy. E por que nossas pernas são longas e nossas patas arredondadas? Why? why?


_ Então fida égua, elas são assim para permitir caminhar no deserto. Como as pernas são longas o nosso corpo fica mais longe da areia do deserto, que é mais quente que a temperatura do ar e assim ficamos mais longe do calor. Já as patas arredondadas são para facilitar andar na consistência da areia! - disse a mãe com ar de inteligente.


_ Holy shit! Falou aí Nat Geo! Huahuahauhauahua (ainda era forgado o guri).But ok, eu só queria saber por que nossos cílios são tão longos? Pareço uma drag queen! Não venço comprar rímel!


_ Meu caro baitolinha! Esses cílios longos e grossos são uma capa protetora para os olhos. Eles ajudam na proteção dos seus olhos quando atingidos pela areia e pelo vento do deserto! - respondeu a camela.


- OK mammy! Então a corcova é para armazenar water enquanto cruzamos o deserto, as legs são para caminhar através do deserto e os cílios de traveco são para proteger my eyes do deserto. Então, whatta fuck estamos fazendo aqui no Zoológico???

Moral da história: não adianta falar outros idiomas, ter conhecimento, qualidades e habilidades, se você estiver no lugar errado.Uma coisa só é útil se for usada.


CDX

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Fábulas Fabulosas para uma juventude non-sense:




A galinha ruiva




Livre adaptação por Leandro CDX Morais



Era uma vez uma tal galinha ruiva, biscate que só ela, vivia cheia de pintos atrás dela. Pintinhos meus caros leitores! Pintinhos! Não pensem besteria....

Mas então... ela vivia em uma fazenda com a pintaiada enchendo o saco. Cada hora os putinhos queriam uma coisa diferente. Criança é foda! Ela não dava conta da algazarra.

Um dia ela percebeu que o milho da plantação já estava maduro e teve uma brilhante idéia:

_ Vou fazer um bolo e enfiar nessa molecada para ver se eles calam o bico!

Mas para fazer o tal bolo precisava colher o milho, descascar, moer, fazer farinha, para depois preparar o bolo. Caralho! Eu já tinha dado o bolo nesses pintos!

A galinha ruiva, burra pra caceta, podia ter dado um passadinha no mercado São Francisco e comprado um bolo pronto por 3 reais! Entretanto preferiu se fuder de tanto trabalhar para fazer uma mereca de bolo...

Para ajudar na preparação do bolo ela recorreu aos amigos. Pediu ajuda para o cachorro:

_ Senhor cachorro, vou preparar um delicioso bolo de milho, poderia me ajudar a colher o milho ? Depois repartimos o bolo e...

_ Ah não brô! - falou o cão com voz de maconha.

_Relaaaaxa meu! Isso de bolo de milho não tá com nada... aind se fosse um bolonha.


A galinha persistente tentou falar com o porco:

_ Senhor porquinho, gostaria de me ajudar a fazer um bolo de milho?
_ Ahhh sua escrota! Olha para a minha cara! Vai se ferrar e enfia esse bolo no c* !

Por último, e já sem paciência, tentou falar com o cavalo:

_ Ohhh seu pangaré! Quer trampar em troca de um pedaço de bolo de milho?

_ Bem, é que eu... - o cavalo tentou achar uma desculpa.

_ Ah, vai cagá então! - a galinha ruiva já previu a resposta e não ficou perdendo seu tempo.

Como sobrou para ela o serviço todo, a galinácea colheu o milho, descascou, debulhou, moeu, fez farinha, fez a massa, cozinhou e tudo mais. Ufa!


Uma vez pronto o bolo, aí a cornaiada apareceu tudo para querer comer. Ajudar ninguém quis, mas na hora que sentiram o cheiro do bolo, vieram o cachorro, o porco e o cavalo:

_ Como vai dona galinha ruiva! Que belo bolo, parece delicioso!

_ E está mesmo -- disse a galinha -- meus filhotes já comeram o suficiente, vocês querem um pouco?

Mas é claro que neguinho encheu o bucho de tanto comer bolo. É claro que para essa história ter sentido precisa de um desfecho moral.

Moral da história é o seguinte: a biscate da galinha fez dois bolos, deu um para os filhotes, e o outro preparou com veneno de rato! Serviu os preguiçosos e só esperou para ver o oco!

Quando o porco estava pondo os bofes para fora, o cavalo estava engasgando com a própria língua e o cachorro sentia queimar seu estômago, a galinha falou com uma risada escabrosa:

_ Rááááá´! Pegadinha do Malandro!


Fuuuuuuu....






CDX

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Fábulas fabulosas para uma juventude non-sense:

O RATO CAGÃO:



Livre adaptação por

Leandro CDX Morais

Contam que aconteceu lá para os lados de Itapopoca... Lá morava um rato, cagão de merda, que tinha medo de gato. Nada mais natural falavam os seus colegas. Todo rato tem medo de gato.

Mas o nosso personagem tinha pavor, horror, se peidava de medo e ficava paralisado. Era quase um caso clínico.

Ele foi aos mais caros especialistas e terapeutas e ninguém dava jeito. Era ver um gato até por foto e já começava a subir um tremor nas pernas.

A solução foi que um dia ele foi procurar um famoso guru que incorporava o espírito do Mickey Mouse e fazia maravilhas! Diz que a sua macumba curava tudo e todos!

E não é que o Exu-Disney dei jeito? Transformou o ratinho borra calças em um vistoso gato! Assim ele não teria mais medo.

E foi se tornar um gato que o filho da puta passou a perseguir outros ratos, como era natural dos gatos fazerem.

Até que um dia se deparrou com um cachorro. E o tremor, a peidação, os olhos lacrimosos voltaram . Agora ele era um gato mas tinha medo de cachorro!

Novamente foi ter com o guru Mouse-Macumba. Claro que, sabiamente não o devorou pois sabia que poderia precisar dele novamente.

E o guru tornou-o então em um cachorro grande e forte!

“Pronto meu caro ex-rato e ex-gato! Agora és um Pitbull! Vai e não tenha mais medo de nada! Vai e destroça essa gataiada!”

E foi assim por uns dias, mas a cachorrada também toma no cú grandão. Um dia encontrou um leão.

Não era possível! O terror voltou! E novamente o ex-ex-rato voltou para encher o saco do guru!

“Mas que caralho! Você de novo cagão?”

E o cachorro então pediu:

“Quero ser um leão, para não ter mais medo! ”

E então o Mickey pai de santo cantou a bola:

“Olha aqui seu arrombado! Não adianta eu te transformar em gato, cão, leão, ou lobisomem! Quando um puto tem alma de rato não adianta ter corpo de leão!”

Hadouken!!!!

Senta lá Cláudia!


CDX

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Fábulas fabulosas para uma juventude non-sense:



O Sapo e o boi




Livre adaptação por Leandro CDX Morais



Conta a história que tinha um boi muito elegante, cheio de pompa, que desfilava bem trajado perto do brejo da região. Lá vivia uns sapos mal-humorados, que adoravam falar da vida alheia e provocar uns aos outros.

Ao avistar o boi elegante, o mais babaquara dos sapos ficou encantado com o bovino. Quanta polidez! Quanta pefeição! Parecia da nobreza! Mas tudo isso ele só pensou. Não deu o braço a torcer e logo demonstrou sua inveja:

_ Olhem só aquele boi! Vindo aqui no nosso brejo pagar uma de bom da boca! - disse o sapo aos colegas.

_ Mas ele é realmente magnífico! Grande e forte! - disse um dos batráquios

_Grande bosta! - retrucou o primeiro - Se eu quiser fico tão grande quanto ele!

E dizendo isso começou a inflar os pulmões, e começou a inchar e aumentar de tamanho. Só no cérebro de ervilha dele que isso ia dar certo.

_ Já estou do tamanho dele? - perguntou aos colegas

_ Ainda não! Está longe - respondeu a sapaiada querendo ver o oco.

_ E agora? - inflou mais e já estava passando de verde para roxo!

_ Nem a pau Juvenal! Vai precisar inflar mais um pouco...

_ Isso vai dar uma merda! - alguém falou lá do fundo.

E não deu outra: conseguiu inchar mais um pouco, e depois explodiu! Foi pedaço de sapo pra todo lado. Um pouco antes de estourar deu para ver os olhinhos do bicho estufando para fora das órbitas! Quando sentiu que ia fuder, tentou peidar para dar uma aliviada mas não deu certo.

Moral da história: Não tente ser o que você não é ou não consegue. E não fique invejando os outros. A Inveja pode te explodir mermão!


CDX

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Frase da semana: Eça de Queiroz!


Deus tem só uma medida a tomar com esta humanidade inútil, afogá-la num dilúvio. Mas afogá-la toda, sem repetir a fatal indulgência que o levou a poupar Noé; se não fosse o egoísmo senil desse patriarca borracho, que queria continuar a viver, para continuar a beber, nós hoje gozaríamos a felicidade inefável de não sermos… --- Eça de Queirós---

CDX

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Fábulas fabulosas para uma juventude non-sense:


Tem uma famosa fábula do Isopo que é a seguinte:


O cachorro e os bois


"Um cachorro estava dormindo em uma manjedoura cheia de feno. Quando os bois chegaram, cansados e com fome depois de um dia inteiro de trabalho no campo, o cachorro acordou. Acordou, mas não queria deixar que os bois se aproximassem da manjedoura e começou a rosnar e tentar morder seus focinhos, como se a manjedoura estivesse cheia de carne e ossos e essas delícias fossem só dele. Os bois olharam para o cachorro muito aborrecidos.

_Que egoísta! – disse um deles. – Ele nem gosta de comer feno! E nós, que comemos, e que estamos com tanta fome, ele não nos deixa chegar perto!

Nisso apareceu o fazendeiro. Ao ver o que o cachorro estava fazendo, pegou um pau e enxotou o cachorro do estábulo a pauladas por ser tão malcriado.


Moral da história:
Não prive os outros de que não pode desfrutar. ---Esopo ---



Eu preferi fazer minha releitura que é mais ou menos assim:


Um cachorro, muito do folgado, estava dormindo em uma manjedoura cheia de feno. Quando os bois chegaram, cansados e com fome depois de um dia inteiro de trabalho no campo, o cachorro acordou.O puto tinha dormido o dia todo, e certamente a noite, quando todos iriam dormir, o vadio ia ficar latindo feito uma retardado. O corno acordou mas falou que não ia sair da manjedoura.

Os bois tentaram espantá-lo, mas o cão começou a rosnar e tentar morder seus focinhos. Eles olharam para o cachorro muito aborrecidos.

_Que egoísta do caralho! – disse um deles. – Você por acaso vai encher o cú de feno?! Você nem gosta de comer isso seu viado! E nós, que comemos, e que estamos com tanta fome, você fica aí cabaceando!


_ Mas deixa quieto! Vou chamar o fazendeiro e você vai se fuder rapá! -disse o outro boi.

_ Ahh...coitadinha da vaquinha Mococa... seu pai é um chifrudo, cara! Vai chorar para a vaca da sua mãe! - retrucou o cachorro.

Aí apareceu o fazendeiro. Ao ver o que o cachorro estava fazendo, pegou um pau e desceu-lhe o cacete! Mas bateu com gosto!



Moral da treta: Se não vai comer não fique embaçando. Se não vai fuder, não fique enrolando. Se não vai beber não deixe esquentar. ----CDX----


CDX

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Premiação de crônica


É com orgulho que esse que vos escreve vem a comunicar que uma das crônicas desse blog foi PREMIADA com o 2º lugar no CONCURSO NACIONAL DE CRÔNICAS FERNANDO VASCONCELOS - EDIÇÃO 2011.

A crônica selecionada, que inclusive vai participar de publicação em antologia referente ao concurso, é CRÔNICA FILHA DA PUTA.

A crônica NOS TEMPOS DE BLADE RUNNER ainda recebeu uma menção honrosa no mesmo certame.

Um incentivo para continuar escrevendo. Sinal que minhas baboseiras agradam uns por aí ;)


Fonte do resultado
: prefeitura de Ponta Grossa

CDX

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Fábulas fabulosas para uma juventude non-sense:

O Pavão e o Urubu:




Adaptado de um conto milenar japonês.

Contribuição do amigo Ricardo.


"Em uma planície, viviam um Urubu e um Pavão.

Certo dia, o Pavão refletiu:
- Sou a ave mais bonita do mundo animal, tenho uma plumagem colorida e exuberante, porém nem voar eu posso, de modo a mostrar minha beleza. Feliz é o Urubu que é livre para voar para onde o vento o levar.

O Urubu, por sua vez, também refletia no alto de uma árvore:
- Que infeliz ave sou eu, a mais feia de todo o reino animal e ainda tenho que voar e ser visto por todos, quem me dera ser belo e vistoso tal qual aquele Pavão.

Foi quando ambas as aves tiveram uma brilhante idéia em comum e se juntaram para discorrer sobre ela: um cruzamento entre eles seria ótimo para ambos, gerando um descendente que voasse como o Urubu e tivesse a graciosidade de um Pavão.


Então cruzaram... e daí nasceu o Peru:


É FEIO PRA CACETE E NÃO VOA!
Moral da história: Se a coisa tá ruim, não inventa!!!
Gambiarra só dá merda!!!"

CDX

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Fábulas fabulosas para uma juventude non-sense:




Dia desses estava reassistindo aquele episódio de The Simpsons onde o Bart encontra um lobo dentro da escola...

Esse episódio é baseado na antiga fábula sobre:



O MENINO QUE GRITAVA LOBO:

Adaptação livre por Leandro CDX Morais


Contam que tinha em uma vilazinha perto de Itapopoca, onde morava um moleque pentelho que só sabia encher o saco do povo que lá vivia.

Como o guri não fazia nada da vida, resolveram dar-lhe uma tarefa, em troca de uns tostões. Ele deveria cuidar do rebalho de ovelhas nos arredores da vila. Era necessário pastoreá-las para que não se perdessem e virassem comida de um lobo que rondava a região.

O pequeno pestinha até que gostou do trabalho, ia ganhar uns trocados para jogar fliperama do Cadillacs and Dinosaurs. Mas passada algumas horas já estava de saco cheio. O que ele gostava mesmo era de atormentar os outros.
Então, seguindo seu espírito de porco, teve a brilhante idéia de fazer um escarcéu, como se o lobo tivesse chegado.

_ Lobo! Olha o lobo! Acode aqui! ---gritou o moleque.

O povo da vila correu para ver o que acontecia. Porém chegando lá não havia lobo nenhum: o pestinha estava de zuação.

_ Piá fio duma égua! --- praguejava uns. E o moleque rachando o bico.

_ Mas isso vai dar uma merda!--- pensava uma das ovelhas.
_ A gente ainda vai tomar no cú por causa desse lazarento. --- reclamou outra.

E não deu outra! O piralho continuou apurinhando a galera, gritando lobo, mas quando chegavam para ajudar não tinha lobo nenhum.

Até que, em determinado momento, o temido lobo realmente apareceu! E daí a gritaria foi com gosto:

_ Corre negada! ---gritava uma ovelha.

_ LOBO! LOBO! ACODE AQUI! LOBO, CARAIO! --- apavorou o garoto.

_ Fudeu a porra toda! --- a ovelhada desesperava.

_ Sai pra lá lobo mau!--- dizia outra.

Como sempre o guri gritava lobo e era mentira, dessa vez ninguém se preocupou em ajudar. O lobo fez a festa e comeu o c* de todo mundo com doce de leite.





CDX

terça-feira, 26 de abril de 2011

Crônica da Semana > Interlagos

Crônica da semana (mais para desabafo do que crônica):


Por Leandro CDX Morais




Morreu essa semana o piloto Paulo Kunze, da Stock Car Light. Kunze tinha sofrido um acidente, dias antes em Interlagos. Com a batida sofreu traumatismo craniano. Estava internado, passou por cirurgia, mas não resistiu.

A grande questão disso tudo é, que essa é a quarta morte em Interlagos, no período de 4 anos, sendo duas mortes somente nesse mês! Isso a mídia não divulga: a falta de segurança no autódromo internacional, palco da Fórmula 1.

Das 4 mortes, três delas tem uma característica comum: o acidente ocorreu na fatídica Curva do Café. Não é de hoje que, quem pilota por lá, sabe que essa curva não está correta. A curva, que é ponto de ultrapassagem, acaba em um muro de concreto. Não existe área de escape, com grama ou brita. O que acontece é que um carro desgovernado atinge o muro e "recolcheteia" voltando para a pista e atingindo outros carros.

A administração do autódromo, na ocasião da morte anterior do piloto Gustavo Sodermann, foi questionada quanto a possibilidade de reformar a curva do Café, colocando ali uma área de escape.

Eles informaram não ser possível pois isso "alteraria a infra-estrutura do autódromo". Entenda-se aqui que para a construção dessa área de segurança a obra avançaria sobre parte das arquibancadas. E ninguém quer pilotos seguros ao custo de perder venda de ingressos, não é mesmo?

A segunda opção proposta, que não precisaria de grandes reformas, seria a colocação de uma chicane, o que reduziria a velocidade no trecho. Outra negativa foi ouvida.

A administração optou por uma solução genialmente ... estúpida. Emitiu um comunicado aos pilotos, orientando a "evitar as ultrapassagens na referida curva".

É triste o desdém com Interlagos. Como dizem por aí... só o dia que um Alonso, ou um Jason Buton morrer ali, que algo será feito. Afinal de contas, só existe olhos para a Fórmula 1.


CDX

quinta-feira, 24 de março de 2011

Crônica da Semana > Antigamente



Por Leandro CDX Morais

Nesse final de semana começa a temporada 2011 da Fórmula 1. Primeira prova na Austrália. E isso me faz recordar o passado. Os bons tempos da Fórmula 1, quando eu acordava cedo no domingo para assistir corrida com meu pai.

Certamente essa prova inaugural eu não poderei assistir pois estarei dormindo, exausto mas feliz, voltando do show do Maiden em São Paulo que será no sábado a noite.

Mas resolvi montar essa crônica para falar do passado desse esporte tão emocionante. Para falar, na verdade, de um de seus grandes nomes. Escrevo para lembrar os fãs da F-1 que hoje faz exatos 20 anos da primeira vitória do grande Ayrton Senna na Brasil. Naquele domingo, 24 de março de 1991, ele venceu pela primeira vez em Interlagos, depois de 7 anos tentando.

E foi uma corrida de tirar o fôlego! De fazer o coração sair pela boca! Quem era cardíaco e não morreu assistindo, com certeza após aquele susto se curou! Não falo isso somente por ser fã. Falo porque foi foda mesmo! A começar pelos treinos cheios de acidentes, nos quais Senna conseguiu a pole position no último momento.

No domingo da prova choveu pacas! Choveu! E Senna estava liderando a prova quando o improvável aconteceu: quebrou o câmbio! Improvável não... previsível! Ahhh... o câmbio da McLaren MP4-6! Acharam essa caixa de câmbio no pacote de pipoca Vanessa e montaram no carro! Aquela bosta travou 4 marchas, uma após a outra. Faltando 20 voltas para o final, o veículo de Senna ficou apenas com a primeira e a sexta marchas.

Já pensou dirigir pela cidade somente com a marcha mais baixa e a mais alta? Já pensou em dirigir com esse problema no limite do seu carro, a quase 300 km/h? Impossível , não é? Pois é... o homem reagiu com a atitude mais improvável diante da adversidade. Nesse momento vemos quem é piloto de verdade e quem brinca de carrinho. Qualquer piloto desistiria, mas o brasileiro informou por rádio que ia terminar a prova... ou ia continuar até perder as outras duas marchas. Só conheci um piloto que fez isso.

E deu certo! Ayrton venceu, porém teve que ir ao limite do seu estado físico. Terminada a prova não conseguiu sequer sair do carro sozinho. Tamanha era sua fadiga muscular que no pódio quase não conseguiu erguer o troféu para mostrá-lo ao público. Isso sim era ser piloto! Naquele ano ele conquistaria seu último título de campeão.

Hoje em dia assisto por assistir. Esses detalhes emocionantes não existem mais. Hoje os carros quase correm a prova sozinhos. O piloto passou a ser passageiro de luxo do seu próprio carro. Enquanto que antigamente se trocava marchas manualmente (como um carro de passeio) e os pilotos chegavam a rasgar as luvas manuseando a alavanca de câmbio, hoje é tudo automático ou semi-automático, sem o sofrimento de outrora... mas também sem a mesma graça.

Mas as imagens falam muito mais que essas linhas:





CDX

segunda-feira, 14 de março de 2011

A arte de escrever





Leia o texto abaixo se quiser aprender a técnica para se fazer um bom texto! Válido para quem escreve dos 8 aos 80 anos, e vale para mensagens de celular os teses de conclusão de curso! Ótimo!


Texto extraído do Jornal ESTADO DE MINAS GERAIS,

Caderno Cultura, em 09/03/2011

"Falou em pirâmides? A primeira imagem que vem à mente são as do Egito. Os blocos triangulares desafiam o tempo. Não é sem razão que a de Quéops se tornou uma das sete maravilhas do mundo antigo. Mas há outras pirâmides. Uma delas: a pirâmide invertida. Há quem a considere tão importante, que a poria entre as sete maravilhas do

mundo moderno.

O que é?

A criatura nasceu no jornalismo. O New York Times deu-lhe corpo em 1861. Foi o jeito de frear a veia literária de repórteres que embarcavam em sonhos labirínticos até chegar à notícia. (Se é que chegavam.) Impunha-se dar objetividade ao relato de um acontecimento. Como? Bastava apresentar as informações mais importantes no primeiro parágrafo. Elas se resumem a seis perguntas: o quê?, quem?, quando? onde?, como? por quê?



Assim, lido o primeiro parágrafo, tem-se a história completa. Os demais oferecem pormenores de cada item das perguntas. O segundo explica o quem; o terceiro, o o quê; o quarto, o onde. E assim sucessivamente. Se faltava espaço na página, o corte começava pelo último parágrafo. E subia. Se o leitor não percebesse as tesouradas, o texto recebia nota 10.

A moda pegou

Ops! A moda pegou. Um século e meio depois, convivemos com a pirâmide invertida com a naturalidade de quem anda pra frente. Em convites, notícias, bate-papos, lá estão as respostas às seis perguntinhas marotas. Encontrá-las nem sempre é fácil. São tantos os dados secundários, tantos os detalhes com aparência de importantes que chegar ao essencial constitui exercício de garimpagem. Debaixo da montanha de emaranhados, Reluz o diamante. É o óbvio.

Olha a pirâmide invertida

Jornais, rádios, tevês, internet recorrem à pirâmide invertida para apresentar a notícia:

1. A chamada do telejornal anuncia: O Salgueiro perdeu 10 pontos no desfile de domingo da Sapucaí porque entrou com 10 minutos de atraso.

2. O convite para a missa diz: A família Tal convida para a missa de sétimo dia pela alma de Fulano no dia tal, igreja tal, horário tal.

3. A notícia do jornal: Em pleno carnaval, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, convocou reunião da equipe para quinta-feira em São Paulo. A pauta: medidas para desvalorizar o real frente ao dólar.

A descoberta do óbvio

Preste atenção em conversas de amigos, marido e mulher, colegas de trabalho. Eles falam sobre assuntos corriqueiros. Usam, sem nunca ter ouvido falar nelas, as seis perguntas. Leia o diálogo em que Maria conta a Luíza que está com namorado novo:

— Sabia? Estou com namorado novo.

— Quem é ele?

— Você não o conhece. É Paulo, argentino que mora no meu prédio.

— Como você o conheceu?

— No elevador. Estava carregando sacolas de compras. Ele se ofereceu pra me ajudar.

— Quando foi?

— Na véspera do réveillon.

— Como decidiram namorar?

— Conversando, descobrimos que gostamos das mesmas coisas. De papo em papo…

Moral da história

Os teóricos do jornalismo ensinam preciosa lição a quem sofre diante da folha em branco ou da tela do computador. A mais importante: antes de escrever, pense de forma ordenada, lógica e prática. As ideias estão na cabeça. Torne-as claras. Este roteiro ajuda:

1. Resuma a história como se você a estivesse contando para uma criança de 8 anos.

2. Responda às seis perguntas mágicas nesta ordem (as respostas não podem, não podem mesmo, ultrapassar duas linhas): O quê? Quem? Quando? Onde? Como? Por quê?

3. Escreva o texto.

4. Enxugue o escrito. Diminua, corte, jogue na lixeira palavras desnecessárias.

5. Leia e releia a obra. Avalie-a. Se sobrar ou faltar algo, não hesite: reescreva-a. Ernest Heminguay reescreveu 28 vezes o último

capítulo de Adeus às armas até se sentir satisfeito.



Fonte: Texto extraído do Jornal ESTADO DE MINAS GERAIS,

Caderno Cultura, em 09/03/2011


CDX

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Crônica da Semana > Moacyr Scliar


No dia de ontem veio a falecer o escritor Moacyr Scliar. Imortal (nem tanto) da Academia Brasileira de Letras, médico de profissão, Scliar morreu aos 73 anos, depois de quase 10 dias internado devido a um AVC.

Escrevia pontualmente todas as segundas feiras na Folha de São Paulo, escreveu mais de 60 livros, e era um dos grandes nomes vivos da nossa literatura. Vencedor por três vezes do Prêmio Jabuti, o principal de nossa literatura.

Segue abaixo sua última coluna para a Folha de São Paulo, enviada ao jornal poucos dias antes de sua internação. Ele desenvolvia uma crônica urbana em cima de alguma notícia do dia.





Lágrimas e testosterona


Atenção, mulheres, está demonstrado pela ciência: chorar é golpe baixo. As lágrimas femininas liberam substâncias, descobriram os cientistas, que abaixam na hora o nível de testosterona do homem que estiver por perto, deixando o sujeito menos agressivo.

Os cientistas queriam ter certeza de que isso acontece em função de alguma molécula liberada -e não, digamos, pela cara de sofrimento feminina, com sua reputação de derrubar até o mais insensível dos durões. Por isso, evitaram que os homens pudessem ver as mulheres chorando. Os cientistas molharam pequenos pedaços de papel em lágrimas de mulher e deixaram que fossem cheirados pelos homens.

O contato com as lágrimas fez a concentração da testosterona deles cair quase 15%, em certo sentido deixando-os menos machões.




Ciência:


"Ele vivia furioso com a mulher. Por, achava ele, boas razões. Ela era relaxada com a casa, deixava faltar comida na geladeira, não cuidava bem das crianças, gastava demais. Cada vez, porém, que queria repreendê-la por uma dessas coisas, ela começava a chorar. E aí, pronto: ele simplesmente perdia o ânimo, derretia. Acabava desistindo da briga, o que o deixava furioso: afinal, se ele não chamasse a mulher à razão, quem o faria? Mais que isso, não entendia o seu próprio comportamento. Considerava-se um cara durão, detestava gente chorona.

Por que o pranto da mulher o comovia tanto? E comovia-o à distância, inclusive. Muitas vezes ela se trancava no quarto para chorar sozinha, longe dele. E mesmo assim ele se comovia de uma maneira absurda.

Foi então que leu sobre a relação entre lágrimas de mulher e a testosterona, o hormônio masculino. Foi uma verdadeira revelação. Finalmente tinha uma explicação lógica, científica, sobre o que estava acontecendo. As lágrimas diminuíam a testosterona em seu organismo, privando-o da natural agressividade do sexo masculino, transformando-o num cordeirinho.

Uma ideia lhe ocorreu: e se tomasse injeções de testosterona? Era o que o seu irmão mais velho fazia, mas por carência do hormônio.

Com ele conseguiu duas ampolas do hormônio. Seu plano era muito simples: fazer a injeção, esperar alguns dias para que o nível da substância aumentasse em seu organismo e então chamar a esposa à razão.

Decidido, foi à farmácia e pediu ao encarregado que lhe aplicasse a testosterona, mentindo que depois traria a receita. Enquanto isso era feito, ele, de repente, caiu no choro, um choro tão convulso que o homem se assustou: alguma coisa estava acontecendo?

É que eu tenho medo de injeção, ele disse, entre soluços. Pediu desculpas e saiu precipitadamente. Estava voltando para casa. Para a esposa e suas lágrimas."




MOACYR SCLIAR (1937 - 2011), em Folha de São Paulo, 28/02/11




CDX

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Fábulas fabulosas para uma juventude non-sense:

A bela e trágica obra "O Lago dos Cisnes" de Tchaikovsky inspirou o filme Cisne Negro (Black Swan - 2010), com Natalie Portman, recebendo inclusive múltiplas indicações para o Oscar 2011. Assisti o filme ontem no cinema e gostei muito. Merece a estatueta de melhor atriz sem dúvida! Principalmente pelas cenas picantes da senhorita Portman, hehe. Mas falando sério: ficou excepcional a interpretação.

Entretanto para entender o filme, o expectador precisa saber, mesmo que superficialmente, sobre o que trata o Ballet que originou a película. Assim sendo, em mais um serviço de utilidade pública, o MOVER, MATAR E DESTRUIR, orgulhosamente apresenta, sua versão "fabulosa auto-explicativa" d"O Lago dos Cisnes". Eis a fábula da semana:



O LAGO DAS TRETAS


Adaptação livre por Leandro CDX Morais da obra O LAGO DOS CISNES de Tchaikovsky





Eis que em um reino distante, pra lá de Bagdá, vivia um tal príncipe Siegfried, que curtia uma boa festa e bebedeiras no puteiro.

Chegado o dia de seu aniversário, o príncipe promoveu uma festa de arromba, com muito vinho, mulherada fácil, comida farta e música ao vivo.

Entre os muitos presentes que ganhou, recebeu de sua mãe, a Rainha, um kit de arco e flecha. Como exímio caçador, Siegfried curtiu o presente.

Naquela noite, depois de tomar todas, e já sentir que o fígado apresentava sinais de esteatose hepática, decidiu que já estava ficando velho demais para tanta zona. Queria sossegar, deixar de lado a putaiada... acabou por prometer para a Rainha que escolheria uma esposa.

Mas antes da escolha partiu para uma última caçada, para estrear o presente da mamãe. Saiu a esmo e acabou andando pelo bosque, onde existia um formoso lago repleto de cisnes, todos branquinhos como se fossem lavados com Vanish Poder Ativo [merchan autorizado, preciso ganhar os trocados].

Encantado com aquelas belas aves brancas, se destacando no entardecer, o príncipe proferiu:

_ Que bonitinhos esses belos cisnes! Vou matar esses putos! --- E armou seu arco para disparar.

Mal sabia ele que não eram simples cisnes. Eram mulheres amaldiçoadas! Aquele bosque era o domínio do feiticeiro Rothbart, que como todo feiticeiro mal fazia muitas maldades!

Entre suas malfeitorias, Rothbart certa vez enfeitiçou a Princesa Odette, todas as suas damas, e também sua irmã Odile. Transformou a mulhegada tudo em cisne! Que véio lazarento! Com certeza não comia ninguém!

Assim, as gostosas durante o dia eram cisnes, e durante a noite retomavam sua forma humana. Essa foi a sorte da galera com pena! Pois na hora que o Príncipe Siegfried ia disparar, o Sol ocultou seu último raio, a as belas voltaram a sua forma feminina.

Ao ver a princesa Odette, bela e formosa diante de si, toda peladona e molhadinha... o príncipe não pensou duas vezes: é com essa que vou casar! Ele jurou amor à ela! A mina explicou sua situação avícola, e o herdeiro do trono topou mesmo assim, pois se ela tivesse um verdadeiro amor a maldição seria quebrada:

_Tá limpo mina! Eu vou te comer e fica tudo certinho! --- confirmou o príncipe seu compromisso de amor eterno.

Porém, o véio bocó não curtiu o final feliz! Se ele, brocha do jeito que era, não ia comer a branquinha, o galã também não ia. Rothbart disfarçou-se de um nobre cavaleiro e apresentou-se no castelo do príncipe com sua filha, para oferecer a garota como pretendente.

Na realidade a suposta filha do caveleiro era Odile, a irmã gêmea malvada da Odette. A biscate era tão má, tão sangue ruim, que quando o feiticeiro amaldiçoou o povo, ela se transformou em um cisne negro (tá sacando a parada do filme agora?!).

Assim sendo, o Sigfried bateu o olho na Odile, e achou que era a Odette. Achou que era o cisne branco e era o cisne preto macumbeiro. E acabou casando com a mina errada! Babaquara mesmo!

Quando a princesa Odette descobriu o acontecido, soltou aquela frase clássica da Rita Cadillac:

_Eu só me fodo!

Ela ficou incorformada. Puta sacanagem daquele véio pinto mole! O príncipe descobriu o engano, e correu para se explicar para Odette. Mas até provar que focinho de porco não é tomada, a merda já estava no ventilador: Odette, o cisne branco, se jogou em um precipício, e com a morte enfim encontrou a liberdade da maldição (só no cérebro de passarinho dela!).


Moral da história : Oh cornuda escrota! Pular de um penhasco não resolve seu chifre não! Tinha que ter chegado na voadora na sua irmã biscate, feito voar pena preta pra todo lado!


CDX

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Fábulas fabulosas para uma juventude non-sense:



O ratinho


Adaptação livre por Leandro CDX Morais



Na casa da Mãe Joana vivia em um buraco na parede, um ratinho com sua mãe. Era aquela cena de desenho do Tom e Jerry. o buraco próximo ao chão vivia cercado com ratoeiras com pedaços de queijo.

Mamãe rato, sempre cuidadosa, não deixava seu pequeno sair da toca. Desde que ele nasceu não conhecia o mundo além das paredes. Ficava só espiando a mãe desarmando as ratoeiras para pegar os provolones defumados, o queijo prato e minas. Porém ele enchia o saco para dar uma volta com ela!

Até que um belo dia, de tanto insistir, mamãe rato liberou o pimpolho para dar uma volta lá fora. Mas o advertiu para ter cuidado. Ela não poderia ir junto pois tinha muito trabalho para fazer...

E lá se foi o ratinho curioso e sozinho. A sua aventura ao mundo exterior durou poucos minutos. Voltou apavorado para a toca. Estava mais branco que vela.

_ O que aconteceu meu filho?! - perguntou a progenitora.
_ Puta que pariu mãe! Existem muitas criaturas estranhas lá fora! Eu vi um monstro!
_ Como assim?!
_Bem... -prosseguiu o ratinho mais calmo - primeiro eu encontrei um ser muito simpático e elegante. Ele andava em quatro patas, assim como nós, mas andava na ponta dos pés, com muita delicadeza. Tinha um pêlo brilhante e macio, e um rabo levantado, que se mexia com sutileza formando ondas. Tinha olhos lindos mamãe...
_ Você falou com ele meu filho?
_ Sim, sim.... ele tinha uma voz aveludada, e falou "miau".
_ Hm... - já ficou desconfiada a mãe.
_ Mas quando a nossa conversa parecia bem, surgiu um monstro horrível! Ele só tinha duas patas e no lugar das patas dianteiras tinha asas!
_ Sei...
_ Tinha olhos de vidro, e tinha pedaços de carne exposta saindo do alto da cabeça e debaixo do queixo. E ele gritava feito o Zito, moleque doido! Fiquei tão apavorado que nem terminei a conversa com o Sr. Miau, saí no carreirão e voltei para casa !

Então a mamãe rato deu-lhe um tapão de mão aberta na cara:

_ Se esperta moleque! Você encontrou um gato! Ele ia te comer! E o outro, apesar de toscão, era um galo, que para nós é inofensivo.


Moral da história: ahhh.... vocês sacaram né?


CDX

sábado, 18 de dezembro de 2010

Fábulas fabulosas para uma juventude non-sense:


O Galo e o Pintinho:



Adaptação livre por Leandro CDX Morais



Daquela velha piada do saudoso Costinha...




Contam que na fazenda do Seu Tião tinha um galo todo formoso, com um rabão vistoso, crista elegante, e era comedor que só ele.

Não tinha galinha, pomba rola, codorna ou periquita que escapava dele. Eventualmente até porquinhas, cabritas, o gato e o cão de caça do Seu Tião acabavam entrando na vara! O tal galo era terrível! Dizem que só não traçava o próprio Tião pelo medo de ir para a panela!

Eis que um belo dia, apareceu uma nova galinha pelas bandas do galinheiro. Ela vinha transferida de outra fazenda, e trazia com ela o filho, um pequeno e amarelinho pintinho. O galo com sua lábia, logo levou a mina no bico: carcou nela naquela mesma noite!

Na manhã seguinte, como era de praxe, as galinhas se espalharam pela fazenda, ciscando e passeando. Ficaram nas proximidades do galinheiro apenas o galo, o pequeno filhote da sua mais nova conquista, e o papagaio do fazendeiro.

A ave verde era outra que só não levou vara porque sabia falar e fazer escândalo. Várias vezes o Seu Tião acudiu o papagaio que fazia o maior escarcéu para não ser encoxado pelo galo safadão.

E ali, vendo o pequeno amarelinho comendo milho, o galináceo pervertido vislumbrou uma putaria. Olhou em volta e não viu mais ninguém além do papagaio. Então chegou perto do pintinho e cochichou uma sacanagem no ouvido dele.

O coitado do pinto arregalou os olhos e ficou olhando estático para o galo. Ao perceber que o galo falava sério, disparou a correr. E o galo como gostava de uma brincadeira de caça saiu atrás.

E nisso ficaram os dois correndo ao redor do galinheiro. O pinto corria e o galo atrás. O pinto correndo e o galo atrás. E o papagaio do alto do galinheiro (claro, em um lugar seguro) observava a tudo.

O pinto correndo e o galo atrás... depois da décima volta, o pintinho começou a demonstrar sinais de cansaço. O papagaio vendo que era inevitável, e que o galo ia pegar o coitadinho, ficou com pena,e o pinto correndo e o galo atrás!

Então o papagaio resolveu dar uma dica pro pintinho. Gritou lá do alto:

"Encosta o cú na parede!"

E nisso o pintinho sem fôlego gritou de volta:

"Não adianta! Ele quer que eu chupe!!!"



:)




CDX

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Fábulas fabulosas para uma juventude non-sense:





O Rei das Rãs:


Adaptação livre por Leandro CDX Morais



Em um pântano não muito distante daqui, viviam muitas rãs. Elas eram tantas, que o lugar era uma zona. Não havia leis, nada era respeitado, e a desordem era total.

Rolava solta a putaria, todo mundo comendo todo mundo. Você podia roubar seu vizinho que nada acontecia. Podia descer a bifa na cara de outra rã folgada que não teria consequências.

Porém, as próprias rãs se cansaram daquela bagunça. E como nenhuma delas se destacava para governar e por ordem no lugar, resolveram pedir uma intervenção divina.

As rãs oraram para o Deus Sapão pedindo que ele envia-se um rei para acabar com aquela algazarra.

O Deus Sapão também não era lá aquelas coisas. De saco cheio dos pedidos das rãs, atendeu suas fiéis de qualquer jeito: mandou entregar no pântano uma estátua de uma rã sentada que comprou na Imaginarium do shopping.

As rãs a princípio se assustaram com a estátua, que tinha uma fisionomia nada cordial. "Esse será um rei autoritário, que vai colocar ordem nessa pocilga", pensaram.

Nem sequer se aproximavam do rei, com medo de enfurecê-lo. Mas com o passar do tempo, notaram que a estátua, como era natural, não se mexia, não saía do lugar, nem dava ordens.

"É um rei de merda!"

"Fala sério!"

"Tomá no cú! Governo de bosta!"

"Tinha que ser PT!"

As queixas das rãs eram muitas. Aquele rei não estava resolvendo nada. Indignadas, resolveram pedir um outro governante ao Deus Sapão. E dessa vez o ser divino ficou
muito puto da cara! Não gostou de ser incomodado novamente sobre o mesmo assunto. Vendo que a maioria das reclamações pediam um rei mais autoritário, mais severo, não pensou duas vezes: enviou um pato para reinar no pântano.

As rãs que antes reclamavam do seu antigo rei, agora tinham que se preocupar com seu sucessor. O pato se sentiu no paraíso: comia uma rã aqui, outra ali.

Em pouco tempo o pântano esvaziou e o pato ficou de bucho cheio! Quase não sobrou rã para contar essa história.



Moral da história: Nunca reclame demais porque a coisa pode ficar pior!



CDX

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Fábulas fabulosas para uma juventude non-sense:



O passarinho:


Adaptação livre por Leandro CDX Morais


Era uma vez um passarinho recém-nascido, que morava com sua mãezinha no alto de uma árvore no bosque encantado.

Sempre que sua mãezinha saía para buscar comida, advertia o pequenino:

_Olha filhinho, mamãe vai buscar comidinha. Fique bem quietinho aqui. Não tente voar porque você pode cair lá embaixo e se machucar. Você ainda não tem idade para voar por aí.

Mas é claro que o moleque era atentado! Olhava suas asinhas e pensava quando poderia usá-las. Como tinha muitas peninhas já crescidas nas asinhas, achou que podia dar uma voadinha.

Esperou a mãezinha voar em buscar de comida e resolveu dar uma espiadinha fora do ninho. Bateu as asinhas, ensaiou uma voadinha... e deu uma esborrachadinha no chão! Caiu de cara o putardo (puto + retardado)!

Quando se levantou reparou que tinha quebrado uma das suas asinhas. Pobrezinho! Estava fudidinho! Saiu correndo pelo chão, arrastando uma asinha e pedindo por uma ajudinha.

Foi então que encontrou uma vaquinha e pediu ajuda:

_Ó dona vaquinha! Conserte minha asinha que quebrei dando uma voadinha!

Dona vaca com sua simpatia que era marca registrada respondeu-lhe carinhosamente:

_ Vai se fuder seu pinto escroto! Vou ajudar é o caralho! Caiu do ninho porque quis! Sua mãe nunca lhe falou para não tentar voar sozinho?!

E o passarinho seguiu buscando ajudinha. Foi quando encontrou um Cavalo:

_Olá amigo cavalinho! Poderia me dar uma ajudinha? Eu...

E o Cavalo, coiceando como era de sua índole, respondeu:

_ Ahhhhh... olha bem pra mim? Acha que eu vou te ajudar com sua asa? Vá cagá! Eu tenho cara de veterinário? - e saiu irritado.

O passarinho estrupiadinho, já estava perdendo as esperanças quando encontrou um gatinho, e mais uma vez resolveu pedir uma ajudinha:

_Oi gatinho fofinho! Pode me dar uma ajudinha com minha asinha?

E o gatinho já com segundas intenções, pensando naquelas tulipinhas, naquelas coxinhas, respondeu, já lambendo a beiça:

_Claro que te ajudo amiguinho, venha aqui mais pertinho para que eu possa ver sua asinha.

Notando que o gatinho estava començando a salivar tanto que a baba escorria pelos seus bigodes, o passarinho percebeu que algo estava errado.

_Você está bem gatinho? Parece que está passando malzinho. Ou você tem raivinha? Está babando e...

O gatinho nem respondeu. Abaixou suas patinhas dianteiras e a sua cabecinha, empinou sua bundinha, abanou o rabinho e tentou dar um bote no passarinho.

Ao perceber que ia virar comidinha, o passarinho saiu no carreirão, correndo como uma minhoquinha no galinheiro.

O gatinho perseguiu o passarinho até a árvore da qual ele caiu."Agora ele não tem para onde escapar" pensou o gatinho.

No desespero de salvar suas tulipinhas, o passarinho esqueceu da dorzinha que sentia, e no susto bateu suas asinhas do jeito que deu e conseguiu subir de volta até o ninho. Afinal, quem tem cuzinho tem medinho! o Gatinho ficou putinho, porque perdeu sua comidinha.

Passado o desespero, e a adrenalina do momento, o passarinho sentiu ainda mais a dorzinha na sua asinha. O esforço para voar tinha acabado de fuder a asa toda!

Chorando de dor esperou sua mãezinha retornar. Quando a mãezinha voltou ao ninho, e viu o filhotinho com a asinha virada do avesso, perguntou o que aconteceu.

O filhinho contou a triste historinha para a mamãe. E ela meigamente lhe disse:

_Vem cá meu filhinho, deixa a mamãezinha cuidar da sua asinha. Vou cuidar dela... no cacete! - e foi porrada pra toda lado! A mãe enlouquecida pela desobediência do filho desceu a mão (ou a asa) no moleque!

No mundo animal não tinha essas paradas de não poder bater na criançada. Então o cascudo rolou solto! Até a mãe quebrar a outra asinha do passarinho na pancada.

Assim, o passarinho aprendeu a nunca mais desobeceder sua mãe.


CDX