"Rock n Roll, Cerveja, Pornografia, Literatura, Mavericks, Gatos, Trasheiras e afins"
sábado, 8 de junho de 2013
I´m back!
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Discos raros (e caros!) - parte 4

Pode não ser o mais raro dos discos da Donzela mas é certamente o mais cobiçado e emblemático de todos. No final de 1978 o Maiden, antes de fazer fama, juntou seus trocados e panos de bunda e gravou em estúdio 4 faixas que foram compiladas no famoso Soundhouse Tapes.
A gravação se deu em 30 de dezembro de 1978, justamente porque o Maiden estava quebradaço de grana, e essa era uma data mais em conta. Custou-lhes o equivalente a 1200 reais em grana de hoje. Foram gravadas naquela noite Strange World, Prowler, Iron Maiden e Invasion.
Conseguiram fazer a sonhada gravação, mas gastaram todo seu dinheiro para isso, não sobrando nem uns trocados pra se hospedar em um hotel. Sem ter para onde ir, o jeito foi descolar uma festa de reveillon para encher o tanque. E lá foram Steve Harris, Paul Dianno, Dave Murray (único guitarrista na época) e Doug Sampson (então baterista, que deve amargar até hoje ter saído da banda).
Na festa o Paul Dianno catou uma piriguete, enfermeira, que topou hospedar a trupe de metaleiros. O charme de Dianno salvou a noite. Assim a galera dormiu no chão da casa da mina enquanto o Paul dava umazinha...
Com a demo tape na mão, sem masterização, a banda conheceu Neal Kay, DJ responsável pela famosa casa Soundhouse, um clube de metal por assim dizer. Ele se dispôs a tocar a demo em algumas noites. Logo que começou a tocar as composições, o público adorou, e o sucesso começou a bater na porta do Maiden.
O Soundhouse contava também com uma publicação (um fanzine) onde listava e comentava as músicas mais pedidas pelo público. Logo de cara Prowler saltou para a primeira colocação, e lá ficou por 3 meses!
Em pouco tempo o Iron foi convidado para se apresentar na casa que lotou. A fama do Maiden começou a se espalhar, chegando aos ouvidos de Rod Smalwood, que viria a ser empresário da banda tempos mais tarde.
Rod ouviu a demo e ficou impressionado e resolveu entrar em contato com Steve Harris. Marcou de assistir um show deles para ver o que achava. Smalwood foi espertão, e chegou ao show sem se identificar. Caso o som fosse ruim pra caralho ele ia sair fora de fininho. Mas o empresário não conseguiu assistir o Maiden naquela noite. A banda estava com tudo montado no palco, pronta para começar, mas estavam esperando alguns amigos de East London que se atrasaram. O dono do lugar queria que eles começassem logo, mas Steve Harris disse que não tocaria sem seus amigos presentes. Só sei que acabou em treta! O baixista se enfezou e falou para o dono que se ele queria tanto que a banda começasse, então que ele mesmo tocasse, e começaram a desmontar tudo. Não teve show!
Depois do ocorrido Rod foi conversar com Steve, que assugurou que no próximo show seria diferente. E foi mesmo, até demais. Acontece que mais uma vez Rod foi ver o Maiden, mas não viu Paul Dianno cantando. Isso porque o Paul foi preso ao tentar entrar no local do show com uma faca escondida. Deu zica! Foi pro xilindró e deve ter levado uns pedalas na orelha!
Rod já deveria estar pensando: "Oh bandinha de merda... tá foda ver esses cabeludos tocando!" quando sugeriu para Harris que ele mesmo cantasse para não perder o show. O líder da banda topou, e acabou sendo um show diferente, que mesmo assim impressionou o empresário.
Daí em diante a coisa só cresceu. Mas a demo com 4 faixas ainda não era um disco. Foi então que por sugestão do Rod Smalwood que o Iron Maiden prensou um EP com 3 faixas (deixaram de fora Strange World), o que facilitou ainda mais a divulgação da banda, dessa vez com uma apresentação mais "profissonal". Agora divulgavam seu trabalho com um EP e não com uma fita cassete ranhenta.
Os fãs sempre pediam por material da banda mas eles não tinham o que oferecer. O EP veio em boa hora, e passou a ser vendido pela própria banda durante seus shows e via correios. Para quem ainda não se convenceu da raridade desse disco, basta dizer que a banda mandou fazer 5 mil cópias. Na primeira semana foram vendidos aos fãs 3 mil discos, e na segunda semana os discos já haviam se esgotado. Quanto custava? Na época o Soundhouse Tapes era vendido por 1,20 libras (o que hoje daria uns 7 reais!). Hoje pode valer até 2 mil dólares (3.200 reais)!
O compacto de 7 polegadas, tem 3 faixas, duração de 11 minutos e uns quebrados, e traz sua capa vermelha com uma foto do Paul Dianno sem camisa em uma das lendárias apresentações no Soundhouse. No verso um texto do DJ Neal Kay apresentando a banda, manuscrito com a letra de Steve Harris.

Começaram a chover ligações para Steve Harris e Rod Smalwood, das mais variadas lojas de discos de Londres, encomendando mil, 2 mil, 3 mil cópias do EP para revender. E é aí que reside a raridade desse disco. Ele nunca foi reprensado. Quem adquiriu a primeira edição (dentro daquelas 2 semanas) teve sorte. Rod e Steve se mantiveram firmes, e deixaram o público fervilhar atrás do disco.
Em pouco tempo a notícia chegou aos ouvidos da EMI que ofereceu um contrato para a banda. E foi aí que começou a brincadeira e em fevereiro de 1980 o Maiden lançaria seu primeiro disco: Iron Maiden (clique aqui para download)!
O Soundhouse Tapes nunca foi vendido comercialmente, assim quem comprou na época foi feliz. Como o mercado tinha uma alta procura por essa raridade, começou-se a piratear aos montes o EP nas décadas de 80 e 90. Hoje existem trocentos milhares de piratas, alguns bem toscos e mal acabados, outros bens semelhantes a um original, tanto que para confirmar a autenticidade tem uma série de pequenos detalhes que devem ser averiguados, como tipo da capa, coloração, marcas de prensagem no disco, selo adesivo. Conclusão da brincadeira: um original custa entre 1200 e 2000 verdinhas (dependendo do estado de conservação). Um pirata toscão, fabricado no Brasil, custa na faixa de 80 reais, e um bem elaborado, bem parecido com o original, custa na faixa de 150 a 200 reais (e olha que mesmo esses são difíceis de se encontrar).

Curioso? Baixe aqui o Soundhouse Tapes!
CDX
quarta-feira, 7 de abril de 2010
A mais pura verdade
frente, uma vira para a direita. Há dois faróis: um para quem seguirá reto
e um para quem pretende entrar na transversal ? uma flechinha luminosa, que
aponta naquela direção. Num determinado momento, estão todos fechados. Aí o
desavisado, cujo intuito é seguir em frente, para na pista que dá acesso à
direita, feliz e contente. Até que o farol de flechinha abre, o outro não e
o incauto motorista passa a empacar a fila inteira, atrás dele.
Não dá pra contar até três e já começa o buzinaço. E não é qualquer
buzinaço. A buzina, assim como o aparato vocal humano, é um instrumento
complexo. Vai do mais delicado fonfom de agradecimento ao urro viking cuja
tradução, em português, seria "saia da minha frente, seu artrópode imundo,
antes que eu arranque seus olhos com a chave de boca e os dê como alimento
para minha criação de iguanas!".
O ódio dos motoristas é tanto e a adesão ao buzinaço, tão efetiva que,
acredito, o desatento que fecha a pista está fazendo um bem aos seus
concidadãos. Onde a gente vê, numa cidade grande e agitada como São Paulo,
tamanha comunhão entre desconhecidos? Talvez só num linchamento ou num
saque a uma carreta virada. Os gregos tinham as tragédias, os romanos
tinham o Coliseu e nós temos o trânsito. Que momentos de catarse coletiva!
Que segundos preciosos de relaxamento e descontração!
Imagino que certas pessoas esperem o dia inteiro pela hora de chegar a um
farol como esse. Vários quarteirões antes, já começam a torcer: tomara que
alguém pare! Tomara que alguém pare! Tomara que alguém pare! Então ele
chega lá, o farol abre e... A fila não anda. Ah, que felicidade é meter a
mão na buzina e deixar tudo ali: o Almeidinha que foi promovido em seis
meses e eu lá ralando há anos; a Maria Alice que levou o irmão pro nosso
feriado de Páscoa e o folgado ainda assumiu a churrasqueira; o moleque que
tirou 3 em química; a filha que esqueceu de novo o aparelho móvel na
bandeja do McDonald"s; sem falar da careca, da barriga e dos adolescentes
do andar de cima, que deram pra tocar bongô às 2 da manhã.
Em meio ao buzinaço, no entanto, tudo fica menor. Aquilo, pelo menos, ele
não faz. Ele sabe que a pista da direita é exclusiva para conversão. Ele
sabe que quem pretende seguir reto tem de parar à esquerda. O que é mais
importante: diante da sinfonia, o motorista percebe que não está sozinho.
Uma dúzia de carros urram, alinhados: somos infelizes, somos ansiosos,
somos neuróticos, mas sabemos que a pista da direita é exclusiva para
conversão! Nesse instante a vida tem algum sentido ? e não fosse o imbecil
parado à frente, ele iria convicto naquela direção.
Publicado originalmente no Jornal Estado de São Paulo de 05/04/2010
CDX
terça-feira, 23 de junho de 2009
Terror Zine!

Segue abaixo o link para leitura do mesmo, vale a pena conferir. Organizado por Ademir Pascale e Elenir Alves, a obra traz mesalmente minicontos de autores de todo o país, além de dicas de livros e entrevistas com autores de renome.
Parabéns aos envolvidos e aos autores pela iniciativa e sucesso para esse projeto!
Link para TerrorZine 10
sábado, 9 de maio de 2009
A verdade sobre a Gripe Suína

A gripe dos porcos e a mentira dos homens
Por Mauro Santayana
O governo do México e a agroindústria procuram desmentir o óbvio: a gripe que assusta o mundo se iniciou em LaGlória, distrito de Perote, a 10 quilômetros da criação de porcos das Granjas Carroll, subsidiária de poderosa multinacional do ramo, a Smithfield Foods. LaGlória é uma das mais pobres povoações do país. O primeiro a contrair a enfermidade (o paciente zero, de acordo com a linguagem médica) foi o menino Edgar Hernández, de 4 anos, que conseguiu sobreviver depois de medicado. Provavelmente seu organismo tenha servido de plataforma para a combinação genética que tornaria o vírus mais poderoso. Uma gripe estranha já havia sido constatada em LaGlória, em dezembro do ano passado e, em março, passou a disseminar-se rapidamente.
Os moradores de LaGlória – alguns deles trabalhadores da Carroll – não têm dúvida: a fonte da enfermidade é o criatório de porcos, que produz quase 1 milhão de animais por ano. Segundo as informações, as fezes e a urina dos animais são depositadas em tanques de oxidação, a céu aberto, sobre cuja superfície densas nuvens de moscas se reproduzem. A indústria tornou infernal a vida dos moradores de LaGlória, que, situados em nível inferior na encosta da serra, recebem as águas poluídas nos riachos e lençóis freáticos.
A contaminação do subsolo pelos tanques já foi denunciada às autoridades, por uma agente municipal de saúde, BerthaCrisóstomo, ainda em fevereiro, quando começaram a surgir casos de gripe e diarreiana comunidade, mas de nada adiantou. Segundo o deputado Atanásio Duran, as Granjas Carroll haviam sido expulsas da Virgínia e da Carolina do Norte por danos ambientais. Dentro das normas do Nafta, puderam transferir-se, em 1994, para Perote, com o apoio do governo mexicano. Pelo tratado, a empresa norte-americana não está sujeita ao controle das autoridades do país, nem às suas leis - somente às leis do país de origem.
O episódio conduz a algumas reflexões sobre o sistema agroindustrial moderno. Como a finalidade das empresas é o lucro, todas as suas operações, incluídas as de natureza política, se subordinam a essa razão. A concentração da indústria de alimentos, com a criação e o abate de animais em grande escala, mesmo quando acompanhada de todos os cuidados, é ameaça permanente aos trabalhadores e aos vizinhos. A criação em pequena escala – no nível da exploração familiar – tem, entre outras vantagens, a de limitar os possíveis casos de enfermidade, com a eliminação imediata do foco.
Os animais são alimentados com rações que levam 17% de farinha de peixe, conforme a OrganicConsumersAssociation, dos Estados Unidos, embora os porcos não comam peixe na natureza. De acordo com outras fontes, os animais são vacinados, tratados preventivamente com antibióticos e antivirais, submetidos a hormônios e mutações genéticas, o que também explica sua resistência a alguns agentes infecciosos. Assim sendo, tornam-se hospedeiros que podem transmitir os vírus aos seres humanos, como ocorreu no México, segundo supõem as autoridades sanitárias.
As Granjas Carroll – como ocorre em outras latitudes e com empresas de todos os tipos – mantêm uma fundação social na região, em que aplicam parcela ínfima de seus lucros. É o imposto da hipocrisia. Assim, esses capitalistas engambelam a opinião pública e neutralizam a oposição da comunidade. A ação social deve ser do Estado, custeada com os recursos tributários justos. O que tem ocorrido é o contrário disso: os estados subsidiam grandes empresas, e estas atribuem migalhas à mal chamada "ação social". Quando acusadas de violar as leis, as empresas se justificam – como ocorre, no Brasil, com a Daslu– argumentando que custeiam os estudos de uma dezena de crianças, distribuem uma centena de cestas básicas e mantêm uma quadra de vôlei nas vizinhanças.
O governo mexicano pressionou, e a Organização Mundial de Saúde concordou em mudar o nome da gripe suína para Gripe-A. Ao retirar o adjetivo que identificava sua etiologia, ocultou a informação a que os povos têm direito. A doença foi diagnosticada em um menino de LaGlória, ao lado das águas infectadas pelas Granjas Carroll, empresa norte-americana criadora de porcos, e no exame se encontrou a cepa da gripe suína. O resto, pelo que se sabe até agora, é o conluio entre o governo conservador do México e as Granjas Carroll – com a cumplicidade da OMS.
terça-feira, 7 de abril de 2009
Agua potável forever!
Agora tudo está resolvido! O dia que o sapato realmente apertar, o governo abre as pernas e deixa todo mundo produzir agua potavel a partir do mar!
Veja texto que segue abaixo:
Água do Mar Engarrafada
H2Ocean - Água do mar engarrafada, para beber
Água mineral feita a partir do mar paulista chega aos EUA.
Moradores de Miami, na Flórida (EUA), poderão a partir do próximo mês entrar em lojas de conveniência da cidade e levar pra casa uma nova garrafa de água mineral, a H2Ocean. Seria apenas mais uma marca no mercado, não fosse por um detalhe: a H2Ocean é feita a partir da água do mar, com aplicação da nanotecnologia. E mais. O processo foi desenvolvido por brasileiros.
A H2Ocean nasceu da experiência de dois cientistas, que começaram a desenvolver a tecnologia de controle de minerais em água dessalinizada. Isso ocorreu há dez anos. Em seguida, somaram-se à dupla outros dois sócios. Em 2003, eles conseguiram a patente do processo e passaram a bater de porta em porta para tentar comercializar a água. 'Ao longo de dez anos, foram investidos cerca de US$ 2 milhões na companhia', diz Rolando Viviani, gerente de marketing da H2Ocean. Segundo ele, todas as pesquisas foram feitas com recursos próprios dos quatro sócios. Seus nomes, por enquanto, são mantidos em sigilo.
No início, o objetivo da H2Ocean era vender a água 'nanotecnológica' no Brasil. A empresa alega ter procurado a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2006 para realizar o pedido de registro do engarrafamento do produto. A resposta teria sido a de que não há legislação específica para que esse tipo de água seja vendido no país por conta da sua fonte: o mar. Procurada, a Anvisa informou que a H2Ocean nunca entrou com um pedido de registro. A empresa, entretanto, enviou ao Valor fac-símile da página da Anvisa na internet em que aparece o número do processo do registro e do protocolo, em nome de Aquamare Beneficiadora e Distribuidora de Água.
A data de entrada é de outubro de 2006 e o pedido foi negado em março do ano passado. Em dezembro, a mesma Aquamare fez uma segunda tentativa, enviando uma carta à Anvisa em que pedia esclarecimentos sobre o que fazer para obter o registro. A resposta veio quatro meses depois, com a indicação de que a empresa deveria 'importar' uma legislação sobre o assunto.
Ao Valor, a Anvisa também informou que 'a empresa interessada na produção (...) de água dessalinizada deve apresentar, preferencialmente por intermédio de uma associação, proposta de regulamentação para avaliação pela Anvisa'. As dificuldades para se obter o registro no Brasil levaram a H2Ocean a mudar de estratégia. A empresa continua interessada em obter a aprovação da Anvisa, mas decidiu priorizar a busca por novos mercados.
A opção foi pelos EUA. 'O registro da empresa saiu em três horas e a água foi analisada em 15 dias. Nos EUA, conseguimos resolver em três meses tudo o que não conseguimos aqui em quatro anos', afirma Viviani.
O Valor, porém, não teve acesso ao registro obtido no exterior.
A venda da H2Ocean começa nos Estados Unidos em agosto, em três estados: além da Flórida, Nova Jérsei e Atlanta. Foram embarcados oito contêineres do produto, feito inicialmente na fábrica de Bertioga, litoral sul de São Paulo. A unidade poderá ser desativada em breve.
A produção deve ser transferida para os EUA no fim deste ano. A nanotecnologia foi o instrumento utilizado pela H2Ocean para transformar a água do mar em água mineral dessalinizada. A água dos oceanos é rica em micro e macro nutrientes, como o boro, o cromo e o germânio - elementos dos quais o corpo humano necessita, em pequenas doses. Com a nanotecnologia, a H2Ocean conseguiu, a partir da água recolhida em alto mar, retirar o sal e manter grande parte dos minerais.
Para chegar a esse resultado, os cientistas criaram um filtro com nanotecnologia aplicada, o nanofiltro. O processo inicial é o mesmo que se faz desde a década de 1940: a dessalinização. Depois de retirado o sal, restam duas opções, segundo Viviani: 'Ou todos os minerais são retirados da água ou ela continua salgada'. Com uma sequência de nanofiltragens, a H2Ocean conseguiu manter 63 dos 86 minerais contidos na composição inicial. Surgiu a água do mar mineral. Para saber se o resultado é bom, o brasileiro vai ter de esperar.
Ou passar em alguma 'deli' na próxima viagem à Disney.
(Fonte: Gazeta Mercantil - Indústria - Pág C1 - 30.07.08)
Vale a pena entrar no site: http://www.h2ocean.com.br/
CDX
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Crise Mundial!
Vou fazer um slide-show para você. Está preparado? É comum, você já viu essas imagens antes. Quem sabe até já se acostumou com elas.
Dizem que 40 bilhões de dólares seriam necessários para resolver o problema da fome no mundo. Resolver, capicce? Extinguir. Não haveria mais nenhum menininho terrivelmente magro e sem futuro, em nenhum canto do planeta. Não sei como calcularam este número. Mas digamos que esteja subestimado. Digamos que seja o dobro. Ou o triplo. Com 120 bilhões o mundo seria um lugar mais justo. Não houve passeata, discurso político ou filosófico ou foto que sensibilizasse. Não houve documentário, ong, lobby ou pressão que resolvesse.
Como uma pessoa comentou, é uma pena que esse texto só esteja em blogs e não na mídia de massa, essa mesma que sabe muito bem dar tapa e afagar. Se quiser, repasse, se não, o que importa? - o nosso almoço tá garantido mesmo...
Por isso que quando a Globo pede 5 reais para o Criança Esperança dá vontade de mandar enfiar no cu..... Se eles fizessem a doação de 0,5% do faturamento deles..... Já seria o suficiente!
CDX
terça-feira, 11 de novembro de 2008
Personalidade da Semana: Hassanz Palim

Eis aqui uma personalidade de qualidade, depois de muito tempo sem postar uma personalidade: o maior turco desse hemisfério, Hassanz Palim.
Quando o conheci, em 1976, era apenas um molecote vivendo de pequenos furtos nas ruas de Istambul.... mas o tempo passou, e nos tornamos grandes amigos (ele maior que eu, sempre) Porém seguimos caminhos diferentes.
Eu fui para a Colômbia, onde abri um bordéu, que não dava lá muito lucro.... Passei a refinar coca nas horas vagas para complementar minha renda. Soube, nos tempos de Escobar, que Hassanz vivia então em algum lugar do Brasil, onde passou a trabalhar em uma recém aberta loja Habbib´s...
Quando o cartel de Medellin foi pro saco, resolvi me mandar para o Brasil também. Os viajantes contavam mil maravilhas daquele país: lá o carnaval era o ano inteiro, os butecos tinham salsichinha, as mulheres eram gostosas, e também falavam de uma tal bebida divina chamada tubaína.... Não pensei duas vezes.
Claro que tive que recorrer a uma nova identidade, devido ao meu passado colombiano. E incrivelmente, o velho Hassanz também teve que usar desse subterfúgio, pois acabou por matar o velho Habbib, depois de uma discussão por dívida de uma esfirra de R$ 0,79.
Contavam de uma cidade no interior do Paraná onde todos podiam levar uma vida tranquila, independente do seu passado.... chamavam-na Maringá! Lá você poderia ser flanelinha e ninguém lhe incomodaria! E foi la´, nessa tal cidade, que reencontrei Hassanz.
Sua nova identidade era agora de um estudante universitário da Universidade Estadual local. Ele assumiu a alcunha de Renato Gonçalves. Para dar mais credibilidade a nossas identidades, conseguimos inclusive trabalho em uma biblioteca da cidade, onde costumávamos nos perder em devaneios de fama e fortuna....
Aqueles sim foram tempos dificeis. Além de termos que nos esforçar para aprender o idioma português (ele por ser turco, certamente teve mais dificuldade que eu) ainda tínhamos que nos passar por estudantes normais, bebendo nos bares da cidade e vadiando por lugares inóspitos ...
Mas o tempo é senhor da razão.... e o tempo cura tudo amigos! Tanto que hoje, anos mais tarde, Hassanz pôde voltar a utilizar seu nome e origem, pois seu crime prescreveu, e atualmente ele tem uma banda junto de seus outros irmãos: A Sexta Geração da Família Palim Do Norte da Turquia! E hoje ele não teme mais a lei dos homens, somente respondendo a Aláh!
Essa foto foi do dia da prescrição do seu crime... comemoramos a "brecha" na lei com bebidas de teor alcoolico duvidoso e prostitutas com orelhas maiores que suas "brechas"....
Quanto a mim, fico muito feliz de ter a intimidade para chamá-lo de imbecil em público e não levar um soco por isso!
Valeu Renatão
LInk no Orkut > Família Palim
CDX
terça-feira, 5 de agosto de 2008
Títulos de filmes pornôs!
Como não tenho nada pra fazer, estou listando aqui os melhores títulos de filmes pornôs que já tive conhecimento.
Essa história de listar títulos toscos começou a muuuito tempo atrás, quando eu trabalhava na Biblioteca Municipal, juntamente com Renatão e Cardosão.
Lá vamos nós:
- Emmanuelle versus Drácula: Único erótico do nosso listão, uma homenagem a grande Emmanuelle que já embalou a punheta de muitos por aí.... Esse é um entre muitos títulos toscos da série que surgiu em 1969 (meia nove, sacou?!).
- Quando Abunda Não Falta : pornô nacional oitentista com muita mulher baranga!
- Sakura Boquetcaptors: pra quem é chegado em uma japonesinha...
- A Mulher Que Se Disputa: supimpa! Pode falar o que for, mas nada como a língua portuguesa para proporcionar um trocadilho desses!
- Sete de Paus: pra quem acha que baralho e sacanagem não se misturam.
- Analstácia: grande homenagem a Disney, que sempre fez pornografia, porém subliminar.
- Penetrando Nemo: outra homenagem sacana a Disney.
- Jurassic Peitos: Sem comentários...
- Piróquio: Huahauhauahuahua...título simples, direto, de duplo sentido e que me fez rir muito.... simplicidade minha gente... simplicidade!
- O Exterminador do Pau Duro: Em um futuro próximo as máquinas vão dominar o planeta, e uma ereção será enviada do futuro pra descer o pau na única esperança da humanidade... Se cuida Sarah Connor!
- As Aventuras de Gozo no Rio: com ótimas locações no Morro Do Alemão e participação especial das tchutchucas do baile funk.
- Bozo: o Palhaço Traquino : Imagina isso cara!
- 3 Horas Sem Tirar: Holy Shit!
- Pica ‘n’ Nick: óóótimo título! Trocadilho da melhor estirpe possível!
- Pênis, o Penetrinha: Kakakakaka... em homenagem ao SBT.
- Nervos de Aço: brasileirão, da produtora Pau Brasil. Não precisa dizer mais nada!
- A Mão que Balança o Bráulio: fala sério.
- Picamon: Pica-pica!
- As Aventuras da Chupalin Colorada: Essa torce para o Internacional.
- Sai Branco, Cacique Também Quer Dar Metida: temática indígena, politicamente correto.
- Jorrada nas Estrelas: eita porra!
- Metrix: muito bom!
- Férias na Fazenda do Titio Fritz: é de se imaginar que o Fritz deve ser um puta alemão com uma mega jeba! Huahauhauhauahuahua ...ri muito desse título também.
- O Grelo Falante: Brutal!
- Axé Devasso Minha Bunda tem Dendê : a pergunta seria: o quê que a baiana tem?
- M.I.B.- Membros In Bunda: Tommy Lee Jones tinha que ver isso!
- Sorria, Você Está Sendo Penetrada: Magavilha!
- O Senhor dos Anais: a Irmandade do Anal : imagina os outros dois filmes da série!
- In Diana, Jones: Esse título é incrível, mas só pode ser entendido no original, inclusive com a correta colocação da vírgula! Vale dizer que a capa do DVD traz a Diana, uma loirinha com cara de safada, e ao fundo um negão descomunal (que é o Jones!).
- Arrombada: Eu Vou Mijar na Porra do Seu Túmulo! : Não se trata de um filme pornô, mas esse título do filme do Peter Baiestorf é um dos melhores que já vi! Não poderia deixar de mencioná-lo.
CDX
Como piratearam meu pau...
Texto de Alessandro Martins, do blog Cracatoa.com.br
Ele demora para atender, como sempre.
- Thiago, preciso fazer uma escultura.
- Claro… posso fazer pra você.
Tenho amigos mui solícitos.
O momento da dúvida, o favor prometido antes mesmo de sabido:
- Er… que escultura? - pergunta ele.
- É algo como uma escultura, não é bem isso… é… é de uma parte do meu corpo.
- Sei. Que parte?
- Eu digo quando chegar aí, ok?
- Péra. Diz agora!
- Tá. Ok… preciso de uma escultura do meu pau.
Silêncio do outro lado da linha.
- Do quê? Acho que não entendi direito…
- Do meu pau, Thiago… cara você é o único que conheço que entende dessas coisas. Só você pode me ajudar… e é o único de confiança que não vai espalhar essa história.
Era quase possível ouvir as engrenagens do cérebro de meu amigo engenhando todas as implicações daquela tarefa.
- Certo. Você está louco.
Não eu não estava. Acho.
- Meu você sabe que eu vou ter que fazer um molde desse negócio.
Eu não lembrava desse detalhe.
Ele continuou a explicar. Basicamente ele teria que cobrir meu pau com um tipo de borracha - na verdade é um negócio chamado alginato, mas, ok vamos chamar de borracha -, que solidificaria em temperatura ambiente. Depois de seca, ela seria usada como negativo a fim de produzir uma ou mais cópias iguais ao original que tenho entre as duas pernas.
Porém, para fazer isso, primeiro eu teria que ficar de pau duro. E ele teria que, comigo nesse estado, passar a tal borracha líquida que, em temperatura ambiente, ficaria também dura.
A perspectiva de ter um homem passando um negócio no meu pinto - com uma espátula que fosse - não me animou.
- Não tem como fazer isso comigo anestesiado?
- Cara. Eu sou artista plástico. Não cirurgião. E, depois, se fosse possível quem preferiria ser anestesiado seria eu.
Tentei ser prático:
- Não tem como fazer como aqueles escultores antigos… Michelângelo? Eu fico ali na sua frente e você esculpe a coisa no mármore, com cinzel e martelo.
- Não vai ficar igual.
Os artistas modernos têm muitas dificuldades técnicas, pensei comigo. Mas não falei, para não magoá-lo nesse momento tão delicado.
Precisei explicar para ele. Dali a dois dias eu teria que fazer uma viagem de uma semana. Acontece que um mês antes eu comecei a sair com uma garota. Uma gostosa. Dessas de sair lágrimas dos olhos quando se olha pra ela. Emoção mesmo. Levei um tempo para levá-la para cama. Finalmente, tive sucesso. E sucesso não é apenas uma expressão. Ela ficou louca. Trepamos todo dia, pelo menos duas vezes.
Quando falei da viagem, distraidamente - enquanto observava o suor escorrer das paredes e os vidros embaçados da janela -, ela entrou em crise.
Disse que não iria aguentar. Que teria crises de abstinência. Que iria perder o emprego. Que teria que se aposentar por incapacidade. E que, muito pior, teria que dar para o primeiro que aparecesse na sua frente para me substituir.
Eu tentava acalmá-la, enquanto procurava eu mesmo me rearranjar daquela inesperada reação, quando a idéia surgiu. Eu deixaria uma cópia exata do meu pau para ela. Assim, eu poderia ligar-lhe toda noite e ela, com a cópia, meteria, digo, mataria a saudade.
E assim estava eu precisando da confidência de meu amigo escultor para tentar resolver o problema.
- Talvez não seja necessária a escultura - disse ele. - Se você quiser eu posso cuidar dela enquanto você viaja.
Claro que eu sabia o que isso poderia significar.
- Não, Thiago. Prefiro fazer um molde em chumbo derretido se for preciso.
Não era preciso.
- Está bem. Vou precisar que você compre o material.
Eu precisaria de 10 quilos da tal borracha - que lembrava aquele negócio que os dentistas usam para tirar o molde dos dentes -, obtida misturando uns produtos químicos.
- Dez quilos? Cara, tudo bem que eu fui um tanto privilegiado pela natureza, mas não é um pouquinho demais?
- Não. Eu tenho um plano para evitar qualquer contato físico com o modelo.
O ora modelo era meu pau.
Como ele não queria correr o risco de ser apanhado pela namorada nesse tipo de atividade, não fizemos o negócio na casa dele. Iríamos, naquele fim de semana à faculdade de artes, onde ele tinha acesso a um atelier que, naquele dia, estaria - supostamente - vazio. Além disso, muito do material que ele precisaria estaria ali.
Fui buscá-lo em casa.
Ele me estendeu duas pílulas.
- O que é isso?
- Viagra.
- Tá louco? Nunca precisei disso!
- Pois agora precisa. O negócio, na quantidade que vamos usar, demora para secar. Se você não ficar com esse pau duro por tempo o suficiente vamos perder o trabalho e o material todo.
- Mas duas?
- É pra garantir.
Tomei as duas pílulas.
No atelier ele montou todo o esquema. Colocou sobre dois cavaletes duas tábuas. Separadas, elas deixavam um vão entre elas. Pegou um balde, misturou os ingredientes nele e fez a mistura e colocou entre as duas tábuas.
- Agora preste atenção. Você tem pouco tempo, pois o material vai começar a se solidificar. Você vai fazer o seguinte. Quando ficar de pau duro, deite sobre as duas tábuas e coloque o seu pau no vão e enfie o pau no balde. A partir daí não se mexa e nem pense em ficar com o pau mole.
Comecei a baixar as calças.
- Espere aí - ele disse - não pense que eu vou ficar para ver isso. Já não basta que vou ter que ajudar você a tirar o balde para não perder o molde.
Ele saiu. Disse que ficaria vigiando a porta para evitar surpresas. Por mais que modelos nus fossem comuns na faculdade de artes, um sujeito com o pinto enfiado em um balde era um pouco demais para um sábado de sol.
Elevei meus pensamentos e com poucas balançadas, mesmo na situação pouco amistosa, consegui uma respeitável ereção graças aos dois comprimidos. Parecia mármore.
Deitei-me e acomodei o pinto na substância, que cedeu e o envolveu completamente.
Era geladinho.
Aliás era geladinho até demais.
Era menta. Eu devo ter comprado o tipo de negócio usado para dentistas.
Um adolescente, quando descobre a punheta, começa a inventar. Se você é do tipo aventureiro, deve saber a sensação de se passar pasta de dente no pau. Lavar é pior, pois a refrescância duradoura só aumenta. E o sorriso não é dos melhores.
Era aquilo que eu comecei a sentir.
Gritei de lá de dentro:
- Cara… demora?!
Ele colocou a cabeça para dentro, pela fresta da porta.
- Shhhh! Quer que alguém escute? - fez uma pausa - Putz. Eu esqueci a câmera fotográfica… - completou com um sorrisinho.
Decerto, queria registrar o momento para a posteridade.
Explicou-me que iria demorar uma meia hora ainda, pela quantidade de produto usada. Apagou a luz da sala - para eu relaxar melhor - e voltou para seu posto de vigilância.
Continuei a elevar meu pensamento a fim de manter a ereção e evitar imaginar que meu pau era uma pastilha de halls preto gigante.
Estava até obtendo sucesso. Comecei a relaxar mesmo e a curtir aquilo, sentindo-me já quase em casa.
Foi quando, de olhos fechados, percebi que o Thiago entrou e acendeu a luz.
Eu comentei:
- Sabe cara, nunca pensei que um dia eu estaria numa faculdade de artes com o pau enfiado em um balde cheio de borracha sabor menta.
Silêncio. Estranho. Depois de um comentário desses meu amigo deveria falar alguma coisa ainda pior, como de costume.
Olhe para o lado e vi uma garota. Pelo que lembro, usava óculos. Tinha deixado cair uns papéis no chão e estava de boca aberta. Parecia em estado de choque. Buscava algum trabalho que havia esquecido ali na sexta-feira.
Atrás dela, apareceu o meu amigo. Tinha ido procurar uma câmera. Segurou o ombro da garota, com calma, e disse-lhe próximo ao ouvido em um tom um tanto desalentado.
- Nem pergunte.
Torci para que ela sofresse algum tipo de amnésia traumática para seu próprio bem.
Thiago entrou e fechou a porta atrás de si.
- Acho que está bom.
- Ufa. Não agüentava mais.
- Bem, vamos tirar esse negócio. Eu vou segurar o balde. Você agora precisa se levantar o mais próximo do… er… “ângulo de entrada” possível. E, devagar. Para não estragar o molde.
Fiz como instruído. Quando saiu, ouvimos um som oco, tipo “flop”, provocado pelo vácuo.
Vesti a calça e olhamos para o nosso trabalho. Aquele buraco era o meu pau no universo paralelo, a versão negativa dele, uma das partes mais importantes de mim como ela seria no mundo bizarro. Tinha cheiro de menta.
A partir disso ele poderia fazer diversas cópias do meu pau. Em gesso, em látex e disse, que se eu quisesse, com um pouco mais de trabalho, poderia fazer uma até mesmo em bronze. Eu respondi que deixaríamos o bronze apenas para os badalos dos sinos.
No fim, a coisa deu certo. Eu pude deixar uma cópia de meu pau com a gostosa e, pelo que vi, ela ficou bem feliz com o resultado. Meses depois, porém, terminamos. Mas isso não vem ao caso.
A surpresa mesmo veio depois de um ano.
Assistindo um filme pornô uma coisa chamou minha atenção. Uma das atrizes brincava com um pau de borracha que me pareceu muito familiar.
Se tem uma coisa que eu conheço é meu pau.
Aliás, conheço meu pau como a palma de minha mão.
E era isso. A atriz estava com uma cópia do meu pau. Olhei na capa do DVD e a produção era tailandesa. Não me pergunte como eu fui alugar um filme pornô tailandês. Pergunte-me antes como foi que uma cópia de meu pau foi parar na Tailândia.
Dei uma pausa em um momento em que se podia ver a coisa de perto. Coloquei o pinto do lado da tela. Eram irmão gêmeos, de fato, inclusive as veias. Só que o outro era rosa-choque.
Liguei para o Thiago. Ele contou-me que depois de ter feito as cópias, esqueceu algumas por lá. Esqueceu o molde também. Óbvio que tudo sumiu.
Mais tarde descobrimos que a tal garota de óculos que nos flagrou havia começado recentemente a fazer um bico como balconista sex shop ali perto.
Foi fácil ligar os pontos. Mas de comum acordo preferimos nem reclamar nem tirar satisfações.
Nem imagino que intrincada cadeia de ações e reações levou a isso, mas de qualquer maneira, para a coisa ter chegado à Tailândia, hoje cópias de meu pau devem estar espalhadas por aí, pelo mundo inteiro.
Talvez sua namorada já tenha brincado com uma delas.
sábado, 2 de agosto de 2008
Truques para abastecer seu Maverick...
*1º.Truque: Encher o tanque pela manhã cedo.*
A temperatura ambiente e do solo é mais baixa. Todas as estações de serviço têm seus depósitos debaixo terra. Ao estar mais fria a terra, o volume da gasolina e do diesel é menor. O contrário se passa durante o dia, que a temperatura do solo sobe, e os combustíveis tendem a expandir-se. Por isto, se você enche o tanque ao meio dia, pela tarde ou ao anoitecer, o litro de combustível não será um litro exatamente. Na indústria petrolífera a gravidade específica e a temperatura de um solo tem um papel muito importante. Onde eu trabalho, cada carregamento de combustível nos caminhões é cuidadosamente controlada no que diz respeito à temperatura. Para que a cada galão vertido na cisterna do caminhão seja exato.
*2º Truque: Quando encher o tanque, não aperte a pistola ao máximo.*
Segundo a pressão que se exerça sobre a pistola, a velocidade pode ser lenta, média ou alta. Prefira sempre o modo mais lento e poupará mais dinheiro. Ao surtir mais lentamente, cria-se menos vapor, e a maior parte do vertido converte-se num cheio eficaz. Todas as mangueiras surtidoras devolvem o vapor ao tanque. Se encherem o tanque apertando a pistola ao máximo uma verdadeira percentagem do precioso líquido que entra no depósito se transforma em vapor e volta pela mangueira do surtidor ao depósito da estação. Com o qual, conseguem menos combustível pelo mesmo dinheiro.
*3º Truque: Encher o tanque antes que este baixe da metade.*
Quanto mais combustível tenha no depósito, menos ar há no mesmo. O combustível se evapora mais rapidamente do que você pensa. Os grandes depósitos cisterna das refinarias têm tetos flutuantes no interior, mantendo o ar separado do combustível, com o objectivo de manter a evaporação ao mínimo.
*4º Truque: Não encher o tanque quando o posto estiver sendo reabastecido e nem imediatamente depois.*
Se você chega no posto de serviço e vê um caminhão que está repondo os tanques subterrâneos, ou acaba de reabastecer, evite, se puder, abastecer na bomba referente a este tanque nesse momento. Pois ao reabastecer os tanques, remove-se o combustível restante nos mesmos e os sedimentos do fundo. Assim sendo você corre o risco de abastecer combustível sujo.
* O autor deste texto trabalha numa refinaria há 31 anos.
CDX
sexta-feira, 11 de julho de 2008
Lei Seca é o cacete!
A lei seca e direito de locomoção de todos nós
Rizzatto Nunes - Desembargador
De São Paulo
Dou hoje minha opinião, que será estritamente jurídica sobre a atual lei seca que está dando o que falar. Deixo claro desde logo que, sinto-me bastante à vontade para tratar do assunto do modo como farei, porque na minha coluna de 04 de fevereiro deste ano, aqui publicada, tinha elogiado a posição do Governo Federal em proibir a venda de bebidas alcoólicas à beira das estradas, como continuo acreditando que é preciso ir além: penso que de deve proibir a venda desse tipo de bebida em supermercados, permitindo a venda apenas em locais específicos e autorizados em que só entrem maiores de idade; penso também que deve ser proibida toda publicidade de bebidas alcoólicas etc. O Estado deve mesmo fazer algo, mas sempre respeitando as garantias constitucionais de um verdadeiro Estado de Direito.
Quando era estudante da graduação em Direito na PUC/SP, nos idos dos anos setenta, sonhava - todos nós sonhávamos - um dia ver a democracia real instituída no Brasil.
A ditadura acabou, vieram as eleições livres e diretas e ficamos esperando. Quando surgiu a Constituição Federal de 1988, nossa esperança aumentou: afinal era o melhor, mais democrático, mais livre e mais claro e extenso texto de garantias ao cidadão jamais estabelecido antes por aqui. Uma luz verdadeira se acendia dentro do túnel.
Muito bem. O tempo passou e se percebe que ainda é difícil estabelecer-se um real Estado Democrático de Direito. Como estudante de direito já há 33 anos ficou triste e até, diria, um pouco descorçoado.
É incrível como o Poder, em todas as esferas, viola com seus procedimentos as garantias constitucionais. Foi-se a ditadura, mas permaneceu a mentalidade profundamente enraizada do autoritarismo.
As ações policiais, por exemplo, muitas vezes parecem ter como técnica de controle e investigação apenas e tão somente o espalhafatoso instrumento das blitze, que normalmente produzem muito pouco resultado além do espetáculo e de atrapalhar a vida dos cidadãos, que já têm muita dificuldade de se locomover pelas ruas das cidades.
Veja o caso da atual e chamada lei seca e das ações praticadas contra os cidadãos de bem. A pessoa é parada na via pública pela polícia, apenas e tão somente porque acabou de sair de um restaurante. Pergunto: qual o elemento objetivo e legal que permite esse tipo de abordagem? Nenhum. Não há suspeita, não há comportamento perigoso, não há desvio de conduta nem manobra capaz de causar dano a outrem.
Há, apenas, o fato de estar dirigindo um veículo após ter saído de um estabelecimento comercial ou nem isso: apenas porque está passando naquele local naquele momento. Isto é, trata-se de uma circunstância corriqueira de exercício da cidadania. Nessas condições a abordagem é ilegal. É assombroso, para dizer o mínimo.
De onde o Estado extrai o direito de evitar a locomoção de um pai de família que sai para jantar com sua esposa ou filhos? Ou com amigos, depois de um árduo dia de trabalho?
Dou exemplo de quando é possível a abordagem: se a pessoa entra cambaleando num veículo para dirigi-lo, eis o dado objetivo. Nesse caso o policial é testemunha ocular e tem o dever de agir. Ou, se o veículo faz zigue-zague na rua, é preciso pará-lo. Na verdade, se é para fazer blitz, então é muito mais simples manter policiais em cada porta de bar, danceteria, boate, discoteca, rave ou o que seja e impedir que o ébrio entre no veículo.
Mas, se a pessoa está na rua livremente, apenas exercendo seu direto de locomoção assegurado constitucionalmente, não pode ser abordado e nem se lhe pode impingir conduta que ele não se disponha a fazer, sem base objetiva para tanto, como por exemplo, exigir o teste do bafômetro.
Eu digo isso, apenas e tão somente porque as leis não estão sendo cumpridas. Vamos a elas, então.
Em primeiro lugar, leia a nova redação do artigo 306 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB): 'Art. 306. Conduzir veículo automotor, na via pública, estando com concentração de álcool por litro de sangue igual ou superior a 6 (seis) decigramas, ou sob a influência de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência'.
Muito bem. Trata-se de um crime de perigo, mas perigo concreto real, ao contrário do que as autoridades policiais estão adotando. O Professor Luiz Flávio Gomes, em artigo publicado no site Migalhas, deixou clara qual deve ser a interpretação do referido dispositivo.
Diz ele que não basta ter ingerido certa quantidade de álcool. É preciso também estar sob influência dele. Isso porque, conforme ensina o professor, a segunda parte da regra legal ('sob influência de qualquer outra substância...') deve valer também para a primeira parte que trata do álcool. E ele está certo, pois a disjuntiva 'ou' remete o conteúdo da segundo parte do texto à primeira parte.
Dou também outra razão: a própria lei 11.705 que alterou o CTB assim o diz. O seu art. 7º alterou a lei 9.294/96 modificando a redação do art. 4º-A dessa lei, que passou a ter a seguinte dicção: 'Art. 4º-A Na parte interna dos locais em que se vende bebida alcoólica, deverá ser afixado advertência escrita de forma legível e ostensiva de que é crime dirigir sob a influência de álcool, punível com detenção.' (grifei)
Pergunto: o que significa 'estar sob influência'? O professor Luiz Flávio Gomes responde: estar sob influência exige a exteriorização de um fato, de um plus que vai além da existência do álcool no corpo.
No caso em discussão, esse fato seria a direção anormal. No exemplo que dei acima, a direção em zigue-zague. Caso contrário, como diz o citado jurista, estar-se-ia violando o princípio constitucional implícito da ofensividade, pois a mera ingestão de álcool sem significar perigo concreto ainda que indeterminado, geraria tipo penal de um crime abstrato, algo inadmitido no direito.
E, em reforço lembro, citando mais uma vez o professor, que para a caracterização da infração administrativa, o art. 165 do CTB, também alterado, dispõe: 'dirigir sob influência do álcool'. Logo, se para a mera infração administrativa (que é o menos) há que se constata influência, para o crime (que é o mais) com muito maior razão.
Pergunto agora: Pode a polícia parar o veículo e submeter toda e qualquer pessoa ao exame do bafômetro? A resposta é não e por vários motivos. Primeiro, porque para abordar qualquer cidadão é preciso lei que autorize ou dado objetivo que permita. O direito de locomover-se livremente é assegurado constitucionalmente (Art. 5º, XV, CF).
Segundo, porque ainda que o motorista tenha ingerido álcool, isso não basta, pois deve se poder constatar um fato objetivo que gere perigo concreto, real decorrente de sua influência.
Terceiro, porque ninguém está obrigado a produzir provas contra si mesmo. Se em algum caso, puder se constatar a influência do álcool por elementos exteriorizados objetivamente, então, nesse caso, a prisão há de ser feita com base em testemunhas e não mera suspeita infundada do policial ou por ordem direta de seus superiores que criaram uma suspeita em abstrato e geral.
Porém, digo mais. Guardados os limites de cada caso de abordagem, pode se dar outro crime: o de abuso de autoridade. A lei 4.898 define os crimes de abuso de autoridade (ironicamente é uma Lei do período autoritário: 09 de dezembro de 1965). Dentre eles, destaco o atentado à liberdade de locomoção e o atentado à incolumidade física do indivíduo (art. 3º, 'a' e 'i').
É um crime doloso, que demanda ânimo de praticá-lo e pode se dar também por omissão, como demonstram, as várias decisões judiciais condenando administradores públicos em geral elencadas pelos Profs. Gilberto e Vladimir Passos de Freitas no livro 'Abuso de Autoridade' (Publicado pela Editora Revista do Tribunais, 9ª, ed, SP:2001).
Assim, se o indivíduo não está praticando nenhum delito, a autoridade fiscal ou policial não pode levá-lo preso. O crime pode estar sendo cometido tanto pela autoridade que lhe prende, como pela que não lhe solta. É possível, pois, processar a autoridade pelo crime de abuso.
No assunto atual das blitze de lei seca, pode surgir uma dúvida em relação à quem está praticando o abuso, pois o policial civil ou militar está cumprindo ordem superiores. Nesse caso, se a ordem não é manifestamente ilegal, quem comete o crime é o comandante da operação ou seus superiores, que pode chegar até mesmo ao Secretário de Estado responsável, pois desses se espera o cumprimento estrito do sistema constitucional em vigor.
De todo modo, deixo anotado que o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, disse com todas as letras que 'sendo exigível dos agentes da lei o conhecimento da garantia constitucional de que ninguém, salvo o flagrante, pode ser detido e preso a não ser por ordem da autoridade judiciária competente, seu descumprimento configura abuso de autoridade manifesto, que não exime de responsabilidade o superior e seus subordinados' (Decisão publicada na revista RJTJRS 170/138 e citada na obra dos irmãos Passos de Freitas).
O trágico nessa história é que, enquanto cidadãos de bem são abordados por policiais armados em alguns pontos das cidades, em outros pontos cidadãos de bem estão sendo assaltados por bandidos armados. Em comum a violência e o abandono.
Afora o fato de que esse tipo de blitz acaba deixando um rastro. Quando elas cessarem, porque cessarão, deixarão no ar a possibilidade da ilegal abordagem de quem quer que seja e, nesse momento, os policiais menos escrupulosos aproveitarão para 'engordar o caixa'. Mais um procedimento que facilita a corrupção. Outra coisa para se lamentar.
Não posso, como professor de Direito, depois de quase trinta anos de magistério, ficar tranqüilo com o que vejo. Aliás, nem eu nem ninguém que estude direito, porque ao invés de ver surgir o tão almejado Estado de Direito Democrático, o que assisto todo dia e cada vez mais é uso de um modelo de ação estatal que não tem na lei maior, infelizmente, sua base.

