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terça-feira, 26 de abril de 2011

Crônica da Semana > Interlagos

Crônica da semana (mais para desabafo do que crônica):


Por Leandro CDX Morais




Morreu essa semana o piloto Paulo Kunze, da Stock Car Light. Kunze tinha sofrido um acidente, dias antes em Interlagos. Com a batida sofreu traumatismo craniano. Estava internado, passou por cirurgia, mas não resistiu.

A grande questão disso tudo é, que essa é a quarta morte em Interlagos, no período de 4 anos, sendo duas mortes somente nesse mês! Isso a mídia não divulga: a falta de segurança no autódromo internacional, palco da Fórmula 1.

Das 4 mortes, três delas tem uma característica comum: o acidente ocorreu na fatídica Curva do Café. Não é de hoje que, quem pilota por lá, sabe que essa curva não está correta. A curva, que é ponto de ultrapassagem, acaba em um muro de concreto. Não existe área de escape, com grama ou brita. O que acontece é que um carro desgovernado atinge o muro e "recolcheteia" voltando para a pista e atingindo outros carros.

A administração do autódromo, na ocasião da morte anterior do piloto Gustavo Sodermann, foi questionada quanto a possibilidade de reformar a curva do Café, colocando ali uma área de escape.

Eles informaram não ser possível pois isso "alteraria a infra-estrutura do autódromo". Entenda-se aqui que para a construção dessa área de segurança a obra avançaria sobre parte das arquibancadas. E ninguém quer pilotos seguros ao custo de perder venda de ingressos, não é mesmo?

A segunda opção proposta, que não precisaria de grandes reformas, seria a colocação de uma chicane, o que reduziria a velocidade no trecho. Outra negativa foi ouvida.

A administração optou por uma solução genialmente ... estúpida. Emitiu um comunicado aos pilotos, orientando a "evitar as ultrapassagens na referida curva".

É triste o desdém com Interlagos. Como dizem por aí... só o dia que um Alonso, ou um Jason Buton morrer ali, que algo será feito. Afinal de contas, só existe olhos para a Fórmula 1.


CDX

quinta-feira, 24 de março de 2011

Crônica da Semana > Antigamente



Por Leandro CDX Morais

Nesse final de semana começa a temporada 2011 da Fórmula 1. Primeira prova na Austrália. E isso me faz recordar o passado. Os bons tempos da Fórmula 1, quando eu acordava cedo no domingo para assistir corrida com meu pai.

Certamente essa prova inaugural eu não poderei assistir pois estarei dormindo, exausto mas feliz, voltando do show do Maiden em São Paulo que será no sábado a noite.

Mas resolvi montar essa crônica para falar do passado desse esporte tão emocionante. Para falar, na verdade, de um de seus grandes nomes. Escrevo para lembrar os fãs da F-1 que hoje faz exatos 20 anos da primeira vitória do grande Ayrton Senna na Brasil. Naquele domingo, 24 de março de 1991, ele venceu pela primeira vez em Interlagos, depois de 7 anos tentando.

E foi uma corrida de tirar o fôlego! De fazer o coração sair pela boca! Quem era cardíaco e não morreu assistindo, com certeza após aquele susto se curou! Não falo isso somente por ser fã. Falo porque foi foda mesmo! A começar pelos treinos cheios de acidentes, nos quais Senna conseguiu a pole position no último momento.

No domingo da prova choveu pacas! Choveu! E Senna estava liderando a prova quando o improvável aconteceu: quebrou o câmbio! Improvável não... previsível! Ahhh... o câmbio da McLaren MP4-6! Acharam essa caixa de câmbio no pacote de pipoca Vanessa e montaram no carro! Aquela bosta travou 4 marchas, uma após a outra. Faltando 20 voltas para o final, o veículo de Senna ficou apenas com a primeira e a sexta marchas.

Já pensou dirigir pela cidade somente com a marcha mais baixa e a mais alta? Já pensou em dirigir com esse problema no limite do seu carro, a quase 300 km/h? Impossível , não é? Pois é... o homem reagiu com a atitude mais improvável diante da adversidade. Nesse momento vemos quem é piloto de verdade e quem brinca de carrinho. Qualquer piloto desistiria, mas o brasileiro informou por rádio que ia terminar a prova... ou ia continuar até perder as outras duas marchas. Só conheci um piloto que fez isso.

E deu certo! Ayrton venceu, porém teve que ir ao limite do seu estado físico. Terminada a prova não conseguiu sequer sair do carro sozinho. Tamanha era sua fadiga muscular que no pódio quase não conseguiu erguer o troféu para mostrá-lo ao público. Isso sim era ser piloto! Naquele ano ele conquistaria seu último título de campeão.

Hoje em dia assisto por assistir. Esses detalhes emocionantes não existem mais. Hoje os carros quase correm a prova sozinhos. O piloto passou a ser passageiro de luxo do seu próprio carro. Enquanto que antigamente se trocava marchas manualmente (como um carro de passeio) e os pilotos chegavam a rasgar as luvas manuseando a alavanca de câmbio, hoje é tudo automático ou semi-automático, sem o sofrimento de outrora... mas também sem a mesma graça.

Mas as imagens falam muito mais que essas linhas:





CDX

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Crônica da Semana > Moacyr Scliar


No dia de ontem veio a falecer o escritor Moacyr Scliar. Imortal (nem tanto) da Academia Brasileira de Letras, médico de profissão, Scliar morreu aos 73 anos, depois de quase 10 dias internado devido a um AVC.

Escrevia pontualmente todas as segundas feiras na Folha de São Paulo, escreveu mais de 60 livros, e era um dos grandes nomes vivos da nossa literatura. Vencedor por três vezes do Prêmio Jabuti, o principal de nossa literatura.

Segue abaixo sua última coluna para a Folha de São Paulo, enviada ao jornal poucos dias antes de sua internação. Ele desenvolvia uma crônica urbana em cima de alguma notícia do dia.





Lágrimas e testosterona


Atenção, mulheres, está demonstrado pela ciência: chorar é golpe baixo. As lágrimas femininas liberam substâncias, descobriram os cientistas, que abaixam na hora o nível de testosterona do homem que estiver por perto, deixando o sujeito menos agressivo.

Os cientistas queriam ter certeza de que isso acontece em função de alguma molécula liberada -e não, digamos, pela cara de sofrimento feminina, com sua reputação de derrubar até o mais insensível dos durões. Por isso, evitaram que os homens pudessem ver as mulheres chorando. Os cientistas molharam pequenos pedaços de papel em lágrimas de mulher e deixaram que fossem cheirados pelos homens.

O contato com as lágrimas fez a concentração da testosterona deles cair quase 15%, em certo sentido deixando-os menos machões.




Ciência:


"Ele vivia furioso com a mulher. Por, achava ele, boas razões. Ela era relaxada com a casa, deixava faltar comida na geladeira, não cuidava bem das crianças, gastava demais. Cada vez, porém, que queria repreendê-la por uma dessas coisas, ela começava a chorar. E aí, pronto: ele simplesmente perdia o ânimo, derretia. Acabava desistindo da briga, o que o deixava furioso: afinal, se ele não chamasse a mulher à razão, quem o faria? Mais que isso, não entendia o seu próprio comportamento. Considerava-se um cara durão, detestava gente chorona.

Por que o pranto da mulher o comovia tanto? E comovia-o à distância, inclusive. Muitas vezes ela se trancava no quarto para chorar sozinha, longe dele. E mesmo assim ele se comovia de uma maneira absurda.

Foi então que leu sobre a relação entre lágrimas de mulher e a testosterona, o hormônio masculino. Foi uma verdadeira revelação. Finalmente tinha uma explicação lógica, científica, sobre o que estava acontecendo. As lágrimas diminuíam a testosterona em seu organismo, privando-o da natural agressividade do sexo masculino, transformando-o num cordeirinho.

Uma ideia lhe ocorreu: e se tomasse injeções de testosterona? Era o que o seu irmão mais velho fazia, mas por carência do hormônio.

Com ele conseguiu duas ampolas do hormônio. Seu plano era muito simples: fazer a injeção, esperar alguns dias para que o nível da substância aumentasse em seu organismo e então chamar a esposa à razão.

Decidido, foi à farmácia e pediu ao encarregado que lhe aplicasse a testosterona, mentindo que depois traria a receita. Enquanto isso era feito, ele, de repente, caiu no choro, um choro tão convulso que o homem se assustou: alguma coisa estava acontecendo?

É que eu tenho medo de injeção, ele disse, entre soluços. Pediu desculpas e saiu precipitadamente. Estava voltando para casa. Para a esposa e suas lágrimas."




MOACYR SCLIAR (1937 - 2011), em Folha de São Paulo, 28/02/11




CDX

sábado, 13 de novembro de 2010

Crônica da Semana: Phillips seu corno!





Por Leandro CDX Morais


Era uma vez um carinha chamado Joe "Mané" Phillips que gostava de desmontar as coisas ao seu redor e montá-las novamente. Depois de fazer isso milhares de vezes, acabou ficando craque na parada, e resolveu que para se sentir realmente desafiado, precisava dificultar a maneira de desmontar as coisas. Como fazer isso?

O mala do Phillips, depois de muito estudar mentalmente uma maneira de fuder com todo mundo que precisa desparafusar alguma coisa, criou os parafusos tipo phillips, e por consequência a chave phillips. E nunca mais retirar um HD de um gabinete de computador foi a mesma coisa. Desparafusar uma porta de armário? Há! Dançou meu filho! Soltar uma peça de metal do carro? Vai sonhando Zé Ruela!

Foi nesse dia, da concepção da chave e do parafuso phillips, que o mundo perdeu o encanto e que ficamos mais longe de Deus. Porque essa merda de parafuso é coisa do Capeta!

Quero que um corajoso me diga qual a necessidade do parafuso/chave phillips se já existia o parafuso convencional e a chave de fenda?! Essa porra não serve pra nada! A única função é "espanar" e eis que nunca mais você conseguirá tirar aquele maldito parafuso.

Se não bastasse isso, devo acrescentar que o "design" do parafuso e da chave phillips é, deveras , muito retardado. Seria simples do processo funcionar se o parafuso tivesse suas fendas cruzadas "vazadas" pelas laterais, tal como ocorre no parafuso fenda convencional. Isso possibilitaria usar inclusive uma chave de fenda com um parafuso phillips! Outra solução seria se a chave phillips ao invés de ter um bico, tivesse sua ponta chata em X. Pronto! Isso reduziria drasticamente os parafusos espanados. Mas para que facilitar não é mesmo?

Ahhh se eu encontrasse esse tal Phillips por aí! Ia mandar enfiar um parafuso phillips no rabo dele e rosquear até espanar!


CDX

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Crônica da Semana: Sachê de merda!

Por Leandro CDX Morais


Dia desses estava comendo um lanche, um sandubão, e descobri mais uma coisa que me deixa puto nessa vida. Eu fico puto com política, fico puto com religião, fico puto com bandas emos, fica puto com puxação de saco e bossa nova.

Mas nada me deixa mais puto do que sachê de condimentos! Aff... como eu fico de cara! Nada contra o conteúdo de maionese, mostarda ou catchup. Porém o que irrita é você querer usar a parada e não conseguir abrir aquela merda!

Já parou para pensar que inutilidade é aquilo?! Preferível muito mais as bisnagonas de cachorro quente de rua! Ahhh que beleza! Nada como meter o apertão na bisnaga e ver aquela maionese temperada jorrando e inundando caloricamente seu lanche!

As porcarias de sachês nunca chegarão aos pés das bisnagas! Isso porque são muitos os defeitos. Primeiro problema é abrir o sachê. Que coisa irritante! É um teste de paciência e destreza manual. É aí que temos um dos grandes mistérios da humanidade: porque a porra do sachê de maionese é sempre mais difícil de abrir do que o de catchup?! Alguém sabe me dizer? É impressionante! Se você nunca notou isso, preste atenção: o catchup você rasga com as unhas no local picotado e pronto! Agora se for uma maionese, fudeu! Você tenta no picotado, e um pedaço do sachê sai na sua mão... mas não é um pedaço suficiente para deixar sair o conteúdo. Então você tenta rasgar no dente. Chega a engolir vários pedaços de plástico, mas nada de maionese. Você aperta, mastiga, pisa em cima! Você deveria desconfiar... a marca da maionese é D´Ajuda! Você acha que o fabricante está tirando uma no sua cara ou não?

Segundo contratempo dos sachês é o conteúdo. 3 gramas, 5 gramas... fala sério! Você acha que um cara que pede um X-tudo que é composto de pão, hambúrguer, mussarela, presunto, maionese, bacon, frango, calabresa, charque, merluza, ovo frito, tomate, alface, palmito, milho, ervilha, couve, beterraba, aveia e farinha láctea vai se contentar com um sachê de 3 gramas de mostarda?! Só na cabeça do fabricante mesmo! O peão vai no mínimo comer junto com o lanche uns 100 gramas de maionese, catchup e mostarda. Olha que nem estou contando o molho de pimenta!

E se você for à uma lanchonete de shopping então? Estabelecimentos do tipo Burguer King, Giraffas. Aí você tem que ficar a cada 5 minutos indo até o balcão para pedir mais sachês ou então queimar a cara e pegae 25 sachês de uma só vez.

Os defensores dos "práticos sachês" alegam que esse é um modo mais higiênico de comer os condimentos. Eu pergunto: higiênico pra quem? Certamente não é higiênico para mim que tenho que por a boca para abrir aquela embalagem que passou por um monte de mãos. Então o pessoal retruca: mas tem que usar tesourinha ou "abridores de sachês" (que consistem de duas lâminas juntas montadas em um suporte de plástico). Besteira! Já viu como ficam nojentos os tais abridores e tesouras? Você vai usar um sachê de catchup e acaba passando maionese no pão... maionese de ontem, que ficou encrustada no abridor quando foi usado pela última vez.


Entretanto o mais revoltante nos tais sachês é que para desfrutar de toda a plenitude de seu conteúdo, é necessária um cálculo milimétrico. Uma vez aberta, a embalagem quase sempre apresenta um orifício muito pequeno ou muito grande.

Se o rasgo ficou pequeno, você vai apertar e a mostarda sairá com muita pressão e acertará seu olho ou sua roupa. Se por outro lado o rasgo ficou grande, aí certamente você terá que conseguir mais um sachê, pois na primeira apertada todas as poucas gramas da embalagem vão sair de uma vez, lambuzando seus dedos.

Por essas e outras que digo: não é fácil levar uma vida sedentária e entupir suas artérias com condimentos de procedência duvidosa.




CDX

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Crônica da semana: RIR 2011


Por Leandro CDX Morais



Os caros leitores se recordam que semana passada escrevi sobre minha experiência no Rock In Rio III e minha expectativa quanto ao Rock In RIo IV previsto para 2011.

Pois bem... brochei! Ontem foi feita a apresentação oficial do evento no Rio de Janeiro, e eu não gostei nada do que vi.

Sonhava em poder mais uma vez ir a um grande festival de Rock, tal qual acontece no Wacken Open Air, Donnington Park, Sonisphere e High Voltage Festival, mas o que nos foi mostrado ontem foi lamentável.

Roberto Medina (dono do evento) tinha a faca e o queijo na mão... e cagou em cima do provolone depois jogou no ventilador.

Começou com a escolha infeliz da data. Qualquer aspirante a headbanger sabe que "a janela" de shows para a América Latina está aberta excencialmente no primeiro semestre do ano. E o cara vai e me marca o evente para final de setembro de 2011.

Nisso, acredito eu, ele já perdeu bandas como Maiden e Blind Guardian, que já estão em tour européia/norte-americana , e devem vir ao Brasil no início do ano.

Outra cagada foi reduzir o tamanho do festival. O cara poderia realizar o maior show de todos os tempos no Brasil... mas não quis. Enquanto o Rock In Rio de 2001 tinha uma capacidade de público de 250 mil pessoas por noite, propiciando o maior show de Metal que já se viu nesse Continente, na noite em que Maiden e Halford subiram ao palco, a edição do ano que vem vai ter público limitado a miseráveis 120 mil expectadores.

Pra finalizar, podemos dizer que o Rock In Rio está menos "Rock" e menos "Rio" do que nunca. "Rio" já deixou de ser faz tempo, quando o mercenarismo levou a realizar o evento em Portugal e na Espanha. Rock In Madrid tudo bem, mas Rock In Rio na Espanha não desce.

E o "Rock" também já foi evento de destaque só na primeira edição de 1985 quando recebemos o Queen. Ontem em sua coletiva, Medina fez questão de reforçar que o centro das atenções serão atrações pops (mais rentáveis) em detrimento dos veteranos do Rock e Metal.

A edição do ano vindouro terá desfiles de moda, tudo muito ROCK claro.... tomar no cu! E pra terminar o rebosteio o cara, que parece ter vocação política, ainda teve a cara de pau de dizer que vai realizar o evento a cada dois anos (assim como ele prometeu no Rock IN Rio III a 9 anos atrás). Até parece...

Suponhando que seja verdade, isso implicaria em shows em 2013, 2015 e 2017. E o Roberto Medina vai perder de realizar um evento em 2014, durante a Copa? Ou pior, não fazer nada em 2016? Justo quando teremos Olimpíadas no Rio? Eu duvido. Aposto meu bago esquerdo com quem quiser...

Se bobear, depois de 2011, vamos ter Rock In Rio só lá pra 2025! Ainda bem que a sigla do Rock In Rio é RIR. Tem que RIR pra não chorar.



CDX

terça-feira, 18 de maio de 2010

Crônica da Semana> A alma que Deus e o Diabo queriam





Por Leandro CDX Morais

Nesse domingo o mundo do Metal ficou mais claro... (não vou dizer mais negro porque negro / black/ darkness em termos de Metal é bom). Ficou mais claro porque perdemos a voz de Ronnie James Dio. Considerado o Deus do Metal, uma das mais brilhantes vozes de todos os tempos, Dio lutava a cerca de 6 meses contra um câncer estomacal, diagnosticado em novembro último.

Conforma o fato de ter visto o mestre face à face, a exatamente 1 ano atrás, na tour do Heaven and Hell, na companhia da minha amada e dos meus amigos. Foi um dos melhores shows da minha vida. Estávamos bem perto (pra nossa sorte porque Dio era um pequenino). Ninguém sabia que aquela seria a última tour daquela voz.

Confesso que quando foi diagnosticado o cancêr me preocupei, mas depois de uns tempos a preocupação passou, pois Ronnie parecia bem, inclusive falando abertamente da sua moléstia, dando entrevistas, parecia que seu organismo estava suportando bem aquele fardo (veja link de entrevista aqui). O tratamento estava trazendo melhoras. O Heaven and Hell chegou a marcar datas para um tour européia, para os meses de junho a agosto desse ano.

Porém, como a Sam comentou certa vez, câncer é uma doença traiçoeira. Ele deixa a pessoa melhorar, reagir ao tratamento, e quando parece que o indivíduo vai sair dessa, volta com força total e mata. Infelizmente é assim. Parece que a pessoa melhora o suficiente para se despedir de todos e resolver alguma pendência da sua vida. Depois a morte é súbita.

E apesar dessa morte triste e lastimável, Dio pode dizer que não deixou pendências, mas sim um legado para ser lembrado por muitos durante muito tempo. Recebeu o apoio e carinho de todos (fãs e amigos) que sempre o respeitaram como músico, artista, e pessoa, o que só veio a confirmar quão querido ele era.

Não é preciso mencionar o que ele fez no Elf, Rainbow, Black Sabbath, Dio e Heaven and Hell. O cara era o cara no vocal. Essa história já conhecemos. O que pouca gente sabe é que além de Metal God, Ronnie Dio era uma dessas pessoas que fazem a diferença no mundo.

Em 1985 fundou uma entidade para ajudar crianças carentes na África. Para levantar fundos para a campanha, Dio reuniu muitos artistas sob o título de Hear ´n´ Aid e gravou uma música ( nos moldes de We Are The World, mas metal hehe). A faixa Stars, escrita por Dio arrecadou mais de 1 milhão de dólares para os pequenos! (download aqui).

Em novembro, pouco antes de saber do câncer, Dio e sua esposa e empresária Wendy, participaram da campanha da Brittany Foundation, uma ONG que cuida de cães abandonados. Ele usava sua imagem para chamar a atenção do público para os animais abandonados.


Eu costumava brincar que Elvis Presley é o Rei do Rock n Roll só porque ele era bonito e já havia morrido, mas Ronnie Dio era o verdadeiro Rei do Rock, a diferença era que o Dio estava vivo e era feio pra caceta! Dizia isso porque Dio tem gravações de 1958 (com o Ronnie and the Red Caps) sendo assim contemporâneo do Elvis. Claro que o trabalho de Elvis era muito mais popular e vendável. Elvis fez muito mais sucesso.

Entretanto Elvis morreu em 1977, e o Dio seguiu sempre trabalhando e gravando muita coisa até o final. Pra mim ele é o Rei, o Deus do Rock e do Metal. Agora que desencarnou, imagino que Ronnie deve ser uma dessas poucas almas que são disputadas por Deus e pelo Diabo. Tanto o Céu quanto o Inferno devem requerer Dio. Foi um grande pequeno homem, com ética, simpatia, carisma e boa índole. Ajudou criancinhas e animais. Deus certamente concederá ao seu xará o Paraíso. Todavia por outro lado, o Capeta tem em Ronnie Dio um dos seus maiores divulgadores. O que seria do Inferno se Dio não tivesse popularizado os chifrinhos com os dedos?! Com certeza o Diabo vai querer o Ronnie, com uma luz vermelha embaixo, fazendo suas caretas e chifrinhos.

Não sei quem vai ter a sorte de conviver com Ronnie James Dio por toda a eternidade, mas sei que nós vamos deixar um mundinho sem graça para os nossos filhos. Que pena! Espero que descanse em paz, e que encontre os dragões, duendes e arco-íris que sempre cantou.


CDX

domingo, 2 de maio de 2010

Crônica da Semana> Maringá , Maringá



Por Leandro CDX Morais



O governo evangélico de Maringá aprovou, através de votação da Câmara de vereadores, um projeto de lei que proibi a exibição de capas de revistas tidas como pornográficas em bancas de revistas da cidade.

Segundo a nova medida, fica proibido a exibição "pública", sendo possível apenas reservar um lugar "escondido" para deixar as revistas. É muita falta do que fazer mesmo.

O prefeito Silvio Barros (também evangélico) tem 15 dias para sancionar a lei ou vetá-la. Dou uma revista Playboy pra quem adivinhar o resultado!.

Embora seja previsto em Constituição Federal que um governo (seja federal, estadual ou municipal) não possa adotar medidas ou leis que refletem qualquer tendência religiosa, não é isso que temos visto em Maringá.

Os vereadores e o prefeito estão cada vez mais impondo o "jeito evangélico" de ser ao cidadão maringaense. Respaldados falsamente em ações de melhoria de vida para o cidadão, eles "obrigam" o maringaense a engolir o que eles acreditam ser o melhor para a cidade. Que o diga os comerciantes que foram afetados pela lei seca. Lei essa que pretende ser extendida a toda a cidade em breve, segundo proposta da Sra. Marly que é... (uma revista Sexy pra quem acertar!). Sim, também evangélica.

Já dizia sabiamente, aquela música erudita com toques de Mozart: "cada um no seu quadrado!" Todos tem o direito de optar por crença ou religião que lhe convier. Mas ninguém tem o direito de "empurra-la" nos outros. Ainda mais se para isso utilizar projetos, leis, decretos ou portarias, ferramentas essas chaves da democracia. Pra falar a verdade impor sua vontade, ou sua ideologia através dos recursos que o governo lhe oferece, não é novidade. O Nazismo e o Fascismo já utilizavam disso a 70 anos atrás.

Mas dizem que somos uma democracia! Então viva a democracia! E viva a hipocrisia também. Porque a molecadinha punheteira vê muito mais pornografia em 15 minutos de internet do que se passasse um dia inteiro trancado dentro de uma banca de jornal.

PS> Ah... anota aí em quem não votar na próxima eleição para vereador: Paulo Soni é o puritano que propôs essa porcaria.


CDX

sábado, 10 de abril de 2010

Crônica da Semana




Maringá, 2.030



Por Leandro CDX Morais

Dia desses adormeci enquanto chovia calmamente lá fora. Eu sou um ávido fã de ficção científica. Devido ao meu gosto, não são raras as vezes em que meus sonhos conduzem por aspectos nebulosos, em outros tempos, outros lugares, outros planetas. Foi em uma dessas versões do meu subconsciente que visualizei minha amada cidade no ano de 2030.
Pra começar, no futuro, tudo que fazia mal, ao homem e ao planeta, foi abolido. Não existiam mais veículos com motores à combustão. Todo tipo de máquina que era alimentada por combustível fóssil for modernizada. De motos à aviões, todos eram alimentados por energia limpa, energia elétrica. Os carros não emitiam mais barulho, e não eram mais fumacentos. Eles já saíam de fábrica com essa nova tecnologia. Os veículos que resistiram tiveram seus motores substituídos por novos propulsores elétricos. Os mais velhinhos que não se enquadravam nessa adaptação foram condenados ao ferro-velho.
No futuro cortaram os cigarros. Nada mais de fumo pra ninguém. As grandes indústrias mantenedoras do tabagismo foram indenizadas em seus prejuízos e extintas. A New Marlboro precisou buscar outros ramos para negócios. Agora eles fabricavam fraldas infantis e material de escritório.
A sociedade do futuro acabou com as bebidas alcoólicas. Nada mais de maltratar o fígado. A tecnologia daqueles tempos propiciou desenvolver cervejas, vinhos, conhaques e toda a gama de bebidas com o mesmo sabor característico, porém sem a adição do venenoso álcool. Não havia mais desculpas para os bebedores de plantão.
A coleta de lixo tornou-se algo sério. Todos eram obrigados a separar seu lixo conforme o material que era confeccionado. E para inibir a produção de lixo por cada residência, a Prefeitura de Maringá cobrava pelo lixo que era produzido. Cada coleta, seu lixo era pesado e emitido uma cobrança.
Muitos tipos de estabelecimentos não existiam mais no futuro. As poucas bibliotecas da cidade foram centralizadas em apenas uma. Mal cuidada e sem respaldo da administração municipal. Afinal de contas ninguém mais se importava com os livros, além dos colecionadores. Isso porque o Kindle (equipamento para leitura de livros em formato digital) tinha tomado o lugar das páginas impressas.
Dessa maneira também não existiam mais livrarias. Nem bancas de jornal. Nem revistarias. Outra coisa que deixou saudade eram os pubs, barzinhos e botecos. Sem bebida alcoólica os donos desses lugares precisaram fechar as portas. Aliás todas as pequenas e médias empresas sucumbiram diante dos grandes conglomerados e grupos empresariais. Uma mesma empresa era controladora desde hospitais até hotéis. Eles fabricavam de lápis à navios.
Outro negócio que foi pro buraco foram os postos de gasolina. Sem a utilização do combustível fóssil, e com a facilidade de abastecer seu carro em uma tomada no conforto do seu lar, os antigos postos não tinham mais sentido de ser. Aliás com a demanda potencializada de energia elétrica, as concessionárias de energia se tornaram as maiores empresas do país. Aqui no Paraná, a Copel tornou-se uma gigante. Através de uma tomada você obtinha serviços de internet, telefonia, sinal de TV além de seu produto primordial, a energia elétrica.
As farmácias, que até alguns anos atrás, proliferavam, encontrando-se quase uma por esquina, foram arrebatadas pelo futuro saudável. Reduziram a um número mínimo, pois a ANVISA não permitia mais a venda de medicamento algum sem prescrição médica. Nem mais um ENGOV podia ser adquirido sem passar por um especialista antes. Exemplo esse tosco, pois claro que com a extinção do álcool potável em forma de cerveja, o ENGOV também perdeu sua finalidade de existir.
O trânsito melhorou muito. Os carros não faziam barulho, não poluíam e também saíam de fábrica com rastreadores e limitadores eletrônicos de velocidade. Tudo exigência do código de trânsito brasileiro, revisado e atualizado. O carro automaticamente detectava, através de sensores espalhados ao longo da via pública, o limite de velocidade permitido, e controlava para que o condutor não o excedesse. Os roubos de veículos tornou-se praticamente nulos. Todo carro podia ser localizado através de seu rastreador em questão de segundos. Contavam por aí casos em que o veículo foi levado pelos larápios, e a polícia localizou o veículo e prendeu os criminosos, antes mesmo do proprietário voltar ao estacionamento e descobrir que o carro tinha sido roubado.
Os crimes de maneira geral foram minimizados. A integração entre as polícias e as políticas educacionais mais eficientes resultaram em uma eficaz maneira de reduzir a criminalidade. As forças policiais estavam mais eficientes e treinadas. Mesmo não utilizando mais armas de fogo (elas também eram proibidas), a instituição policial conseguia manter a ordem, apesar da ampliação do leque de crimes e contravenções. Agora prostituição e venda de bebidas alcoólicas davam cadeia. Contudo, a punição e reabilitação dos infratores era...
Então despertei suando frio e tentando gritar de agonia. O futuro era um pesadelo! Queria passear com meu Simca Chambord, ir a um bar, desses que você coloca uma mesa na calçada para beber sua cerveja e jogar conversa fora com os amigos. Queria poder acender meu cigarro, e fumá-lo enquanto lia meu jornal. Queria ter o direito de passar mal e comprar um sal de frutas. Ou acordar de ressaca e tomar um ENGOV.
Eu não gostava do futuro e sei que ele não gostava de mim. Não queria que meus filhos vivessem em um mundo futuramente assim! Não sem antes viverem o que eu vivi. Todavia eu não podia fazer nada.
Tateei meu criado mudo. Achei meus óculos. Depois de colocá-los, acendi o abajur. Procurei meu relógio de pulso. Eram quatro e quinze da madrugada. Olhei para o calendário. 8 de fevereiro de 2030. O carnaval estava chegando. Eu detesto o carnaval!




CDX

sábado, 3 de abril de 2010

Crônica Filho da Puta




Por Leandro CDX Morais





Dia desses fizeram grandes mudanças no trânsito da minha cidade. Implantaram o tal sistema binário. Agora algumas avenidas da cidade tinham um único sentido de circulação de tráfego, ao invés da configuração clássica, onde a pista da esquerda vem e a da direita vai.

É óbvio que uma mudança dessas iria dar muita merda até os motoristas (e pedestres) se acostumarem. Aconteceu até de motorista que bateu em viatura da polícia. E como pode se imaginar eu também fui vítima desse novo sistema. Certa manhã ia calmamente para o trabalho e acabei por fazer uma conversão errada. Levei uma garbosa buzinada e um pomposo “filho da puta!”.

Já cheguei estressado para trabalhar. Mas passado a fúria do momento fiquei pensativo. Comecei a refletir sobre a situação e concluí que o motorista que ofendeu minha mãezinha o fizera de maneira quase automática. Impressionante como o termo filho da puta está na ponta da nossa língua. O que é interessante é que tudo começou com o filho da mãe e acabou evoluindo para o filho da puta.

O filho da mãe era largamente utilizado nas décadas passadas (e na década de 80, nas dublagens para filmes com público adolescente). Na época até ofendia, entretanto eu nunca entendi o porquê, visto que todos somos filhos de uma mãe. Tudo ia muito bem até que algum dia, alguém colocou a mão na cabeça e percebeu que o filho da mãe não fazia o menor sentido. Foi nesse dia que esse abençoado boca suja substituiu a mãe pela puta. E fez-se a luz!

Acredito que o primeiro ofendido que ouviu esse termo nunca mais esqueceu. É difícil você reagir rápido frente a um palavrão desconhecido e chocante. O indivíduo deve ter ficado boquiaberto e sem palavras. Penso que deve ter partido para a briga também. Quando as palavras faltam o punho sobra!

E daí em diante o termo filho da puta espalhou-se. Hoje ele é utilizado tão largamente que acabou se banalizando. Não são raras as vezes que você presencia o encontro de velhos amigos e um fala para o outro “como vai seu filho da puta?”. Pois é. O termo nos dias atuais pode ser utilizado como cumprimento. O que dá o caráter ofensivo ou não é a forma como são proferidas as palavras filho da puta.

Acabei trabalhando aquele dia feliz, apesar das filhas da putices do meu trabalho em questão. Refletir sobre aquela expressão fez meu dia passar mais rápido. E notem que o termo pode ser usado com outras funções gramaticais. Ele pode passar de adjetivo (filho da puta) para substantivo (filha da putice).

Mas como eu dizia, os anos são cruéis, até mesmo para os palavrões, e a expressão filho da puta tornou-se lugar comum. Todo mundo usava a toda hora. Então alguém teve a magnífica idéia de revitalizar o termo, acoplando ao mesmo um verbo! Assim surgiu o vai pra puta que te pariu! Lindo!

Não podemos deixar de considerar que o gênio que modernizou o termo deve ter inventado a nova construção frasal em um momento de inspiração, e a guardou muito bem até o momento que precisou usá-la. Imagino aquela discussão acalorada no caixa do supermercado, quando o funcionário lhe estendeu duas balinhas de troco, e o nosso herói, com toda a sua razão de consumidor queria os 3 centavos de troco. Depois de quinze minutos de bate boca e sem convencer o caixa a lhe dar as míseras 3 moedas, o nosso xingador deve ter proferido: “então fica com esses 3 centavos e vai pra puta que te pariu!” Certamente ele saiu do mercado de alma limpa e cabeça tranqüila. Ah, nada como um palavrão novo!

O que torna o vai pra puta que te pariu ainda mais incisivo do que o filho da puta é o verbo de movimento. No fundo os dois estão qualificando a progenitora do ofendido. Todavia o verbo ir incute uma nova idéia a sentença, de modo a orientar o filho da puta a ir procurar a sua mãe-puta, provavelmente na zona de meretrício. E isso é sensacionalmente! Temos aqui uma missão quase impossível. É como uma fusão entre o vai ver se eu estou na esquina e o filho da puta. Entretanto para entendermos a complexidade da frase ofensiva devemos situá-la em um contexto temporal, quando ela surgiu. Imagine a situação comigo: você está nos idos da década de 40, em algum lugar no Rio de Janeiro, nos tempos de capital federal. A sociedade é conservadora, não existem celulares ainda, e mesmo o telefone é artigo de luxo. Carro então nem pensar. Só os reis do café e os empresários do ramo artístico tinham um. Pra você se locomover só de bonde ou a pé mesmo. E você precisa encontrar uma puta. Sem dúvidas não é uma busca fácil sem os recursos que temos hoje em dia. Para agravar a situação, não é uma puta qualquer que vai servir. Você está a procura da sua mãe! É uma busca vergonhosa e difícil, mesmo para um filho da puta.

Mas novamente a modernidade veio e acabou drenando a maior parte do brilhantismo do termo. Hoje as mulheres da vida têm celular, orkut, twitter e blog. Você consegue encontrar e falar com uma puta até mesmo quando ela está “ocupada”. O passar dos anos acabou por empobrecer nossa língua portuguesa. Outro fator da atualidade que mina o potencial de termos como filho da puta é a invenção dos testes de paternidade. Se no passado o grau de ofensa era potencializado pelo fato do filho da puta não saber quem era seu pai, hoje já não existe esse problema. Se a meretriz resolver meter a boca no trombone (ótimo trocadilho!) e exigir teste de DNA de todos os seus clientes no último mês antes de sua gravidez, estará feita uma grande confusão. Mas pelo menos não teremos mais um filho da puta sem pai.

Uma certa sobrevida foi atribuída ao vai pra puta que te pariu. Em algum momento da história dos xingamentos um bendito resolveu comprimir a expressão e concedê-la um tom de surpresa, espanto, admiração ou até mesmo decepção: era o puta que pariu que surgia na face da terra! Com o encurtamento e com uma carga de exclamatividade o puta que pariu faz sucesso até hoje. Principalmente em tempos que a internet nos traz em forma de fotos e vídeos algumas bizarrices impressionantes, diante das quais é quase impossível ficar indiferente. Nesses casos, mesmo que mentalmente, sempre sai um puta que pariu!

Particularmente, o que eu mais aprecio no puta que pariu é que, quando proferido pausadamente, podemos aumentar o seu grau de dramaticidade. Notem que quanto maior é a pausa entre as sílabas, mais surpreendente, mais desesperadora, mais filha da puta é a situação!

Considero outro sinal do fim dos tempos essa degradação dos palavões. Nem mesmo ofender uma pessoa tem a mesma graça que tinha antigamente. P-u-t-a q-u-e p-a-r-i-u! Mas filhas da putices a parte, certamente seríamos filhos da puta sem pai se não tivéssemos os xingamentos pra exaltar nossas emoções.



CDX

quarta-feira, 17 de março de 2010

Crônica da Semana





A Pátria de Chuteiras (Ou Como Inventar um Novo Imposto):

Por Leandro CDX Morais

Dizem que o Brasil é o país do futebol! Agora vai ser mais ainda: vem aí a Copa do Mundo de 2014! O grande problema é que podemos ver na Copa do Mundo de 2010, na África, o que nos aguarda daqui 4 anos. Lá, as tarifas de energia elétrica já subiram cerca de 25%. Lá, o transporte se tornou exemplar, mas a custo de pesados investimentos e desemprego de perueiros que agora implementam ondas de greve e violência. Lá, a segurança pública tornou-se eficaz, mas a polícia atua espancando os grevistas da frase anterior.

O que nos aguarda é isso: um investimento de 40 bilhões de dólares para fazer o torneio aqui. 40 bilhões!!!!! Não é brinquedo não. Sabe o que isso significa? Que nem o homem mais rico do Brasil (e oitavo mais rico do mundo) consegue pagar pela Copa. A fortuna de Eike Batista é de "apenas" 27 bilhões. Para se ter uma idéia, a receita anual dos 20 maiores times do Brasil é aproximadamente R$ 1,5 bilhão. E estamos falando aqui de reais, o preço do mundial da FIFA é em dólar! Sendo assim, em um cálculo rápido, podemos concluir que, se dependesse do futebol brasileiro para pagar pela Copa, levaríamos 48 anos juntando dinheiro.

Entretanto nós só temos 4 anos pra levantar os tais 40 bilhões. É aí que entra a minha e a sua participação. Sim...sim... existem investidores e patrocinadores interessados. Mas você acredita que desses 40 bilhões, não vai sobrar nada pra você pagar? Vai sim. Nem comece a pensar em como o governo vai administrar esses gastos e investimentos, senão você vai chorar. Eu e você, gostando ou não de futebol, já estamos na marca do pênalti! Pagaremos pela beleza da Copa do Mundo. Pagaremos e ainda teremos que sorrir, para não passar a impressão de maus anfitriões.

Querem colocar até trem-bala no país da Copa de 2014. Nem as linhas de metrô convencional funcionam, e eles querem um trem-bala. E falando em bala, já posso imaginar a confusão que vai ser. Bala perdida pra cá, turista perdido pra lá. Espero que ao menos eduquem os flanelinhas em inglês, italiano, castelhano, francês e alemão. Com fluência nesses idiomas eles poderão orientar gentilmente nossos convidados futeboleiros.

Copa do Mundo dá gosto de assistir e de ganhar. Mas que seja em território estrangeiro. É um gasto que não precisamos. Ainda não entenderam que não precisa fazer uma festa de aniversário para comer bolo. Mas o que se há de fazer? Já está decidido e nada mais mudará a Copa do Mundo no Brasil.

Espero que a arrecadação de verba para a realização do mundial de futebol chegue a pelo menos 39 bilhões. Se conseguirem patrocínio para pagar pelo menos 39 bilhões fica fácil. Quanto ao bilhão restante, o governo pode criar o IPSCP (Imposto Provisório Sobre a Copa do Mundo) e esfolar o cidadão com a cobrança. Claro que esse imposto, de caráter temporário, só deverá perpetuar-se até o final do campeonato. Ou talvez prorrogarão até as Olimpíadas de 2016. Ou até 2020 que é pra arredondar. Ou tomarão uma atitude mais fácil que é para não aborrecer ninguém: mudarão o nome do imposto pra ISCP (tira esse "provisório" que só vai atrapalhar).

Brasil, o país do futebol! A pátria de chuteiras! Ipe Ipe Uhááá!


CDX

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Jogo da Memória


Por Leandro CDX Morais

"Dedicado ao amigo Renatão, grande fã do Richards!"


Já estava na cama com meu esposo. Era tarde da noite e a insônia atacava. Então peguei uma revista para ler. Acabei encontrando uma entrevista com o Keith Richards, guitarrista dos Rolling Stones, hoje com uns 300 anos de idade. Ele relatava ao repórter mil peripécias, de quando era mais jovem, e tinha cheirado até o pai! Ele foi indagado se pretendia, diante de uma vida de tantos sabores e prazeres, escrever uma auto-biografia.

Então o talentoso artista revelou que “nem se lembrava de ontem, quanto mais o que aconteceu a anos atrás”. Eu gostei da resposta sincera. Ele poderia ter dito que certamente escreveria um auto-biografia. Contaria como foi viver os primeiros anos de vida sob os ataques nazistas. Depois relataria como seu avôque tocava jazz lhe apresentou a música. E por fim explicaria como formou a banda e se tornou mundialmente famoso. Se essa fosse a resposta dele, provavelmente depois da entrevista ele ligaria para seu empresário e pediria para contratar o melhor biógrafo do momento, para “ajudá-lo” a lembrar o que fez de interessante nos últimos 200 anos.
  
Mas não. Ele se limitou a falar a verdade. Talvez porque se mentisse ninguém acreditaria. Uma pessoa que já cheirou tudo o que cabia pela narina e já injetou quase tudo que pudesse ser comprimido pelo êmbolo da seringa, não tem, digamos, muita credibilidade para assuntos relacionados à memória.

Que fique bem claro que não estou criticando o estilo de vida ou a pessoa que é e foi o Keith. Sinceramente aprecio o trabalho dele (tal qual dos demais Stones) e sinto até um pouquinho de inveja branca. Já fui embalada muitas vezes, em braços másculos, ouvindo Stones nos anos oitenta. E certamente se um dia fosse uma Rock Star, digo que também abusaria de drogas, sexo e dinheiro , assim como ele fez. Senão para que serve ser um Rock Star? Mas a questão aqui é a memória! É escrever uma biografia. Considero isso uma missão impossível.

Eu mesma, tento a alguns anos, reunir os cacos de lembranças para formular uma auto-biografia. Mas entendam que é algo tão complicado quanto dar a luz a quadrigêmeos. Quem escreve uma auto-biografia só tem três possibilidades. A primeira opção é contratar um especialista que possa fazer o serviço por você: é o famoso Ghost Writer. Ele vai pesquisar e escrever coisas interessantíssimas sobre você. Mas no fundo nem você faz idéia que um dia fez aquilo tudo. E pasmem em saber: muitos famosos usam dessa artimanha.

O segundo caminho é inventar tudo. Se sua vida não foi lá essas coisas, melhore um pouco ela. As pessoas gostam de histórias impressionantes e picantes. Construa alguns casos extra-conjugais com algum político famoso ou um intelectual em seu auge na época, invente como escapou da morte (duas vezes!), esse tipo de baboseiras. O grande perigo dessa alternativa é você ter fãs espalhados por aí. Eles saberão o que é verdade e o que não é. E vão te processar por falsidade ideológica.

E a terceira possibilidade e a mais inacreditável, é você realmenteescrever a biografia, relatando pormenores dos últimos 40, 50, 60 anos. Digo inacreditável porque a memória humana, mesmo quando estimulada e bem cuidada não é como um computador, que guarda tudo exatamente como lhe éinformado. Eu fico embasbacada quando leio uma auto-biografia, onde Fulano diz que “naquela manhã de 7 de outubro de 1971 ele acordou bem disposto, pois fazia vinte graus a sombra, o vento soprava a noroeste a 18 km/h. Para seu dejejum ele degustou duas tâmaras frescas e uma xícara de café União, com 2 gotas de adoçante.” Para com isso! Ninguém tem uma memória assim! Essas pessoas que escrevem auto-biografias 100% reais dessa forma não deveriam fazer o que fazem . Deveriam ir trabalhar na NASA, ou receber um prêmio Nobel da Memória. “ E o prêmio desse ano vai para Ciclano, que ao lançar sua auto-biografia revelou ao mundo sua excelente memória ao descrever com precisão a roupa que sua tia Zuleide vestia quando foi visitá-lo no berçário no dia do seu nascimento!”

Eu quero escrever uma auto-biografia. Acho que minha vida sofrida deve ser compartilhada com outras pessoas. Eu já passei por muitas adversidades. Talvez eu seja um bom exemplo de superação para muitas mulheres mundo afora. Entretanto eu não sei como fazer isso. Não vou contratar alguém pra contar minha vida. Ghost Writer está fora de cogitação. Também não tenho o hábito de mentir. Não vou inventar nada sobre mim. Porém minha memória nunca foi das mais exímias. Então fico ilhada, sem ter como levar esse projeto adiante.


O Keith disse para seu entrevistador: “Minha vida é uma luta constante para lembrar o que aconteceu na década de 70, não tenho condições de escrever uma biografia”. Eu não usei drogas naqueles tempos. Mas eu também não lembrava do que aconteceu naquela década. E nem em outras. Eu e Richards estamos unidos pela infâmia do esquecimento.

Por hora vou guardar essa revista, apagar o abajur, e tentar dormir antes que o marido acorde. “Vai dormir mulher! Sua vida não é interessante para ninguém!”, disse ele ontem. Talvez ele tivesse razão. Uma mulher desmemoriada deve permanecer esquecida.



CDX

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Crônica da Semana > Como a Internet Mudou a minha Vida com uma Frase !


COMO A INTERNET MUDOU MINHA VIDA COM UMA FRASE


Por Leandro CDX Morais







“Possuo muitos pequenos pedaços de felicidade em forma de discos.”

Mr. Manson – Site Coca da Boa




Quando eu li esta frase pela primeira vez, um processo de identificação simultânea percorreu todo o meu espírito: era isso! Durante anos e anos busquei a felicidade... e agora tudo se resumia a uma frase: dez palavras explicavam aquilo que meus sentimentos não conseguiram absorver em anos de obstinação.

Agora tudo começava a esclarecer-se em minha mente. A felicidade que tanto almejava não era alguma coisa gloriosa, ou um sentimento cármico, quase transcedental. A felicidade estava ali: nos detalhes do cotidiano.


“Possuo muitos pequenos pedaços de felicidade em forma de discos.” Quando li esta frase sensacional em um desses sites da vida, realmente acreditei que seu autor poderia ser algum tipo de messias dos tempos cibernéticos, trazendo sua auto-ajuda misericordiosa. Como não enxerguei isso antes? A minha felicidade estava ali, e sempre esteve nas ínfimas miudezas da vida.


Engraçado como os homens buscam aquilo que desejam, nos lugares mais distantes... e esquecem de procurar ao seu redor. Buscam a compreensão da natureza humana em outros planetas, em outras estrelas... mas não procuram compreender a pessoa ao seu lado. E por acreditar nos homens da sabedoria, também segui essa linha de busca. Procurava ser feliz através dos meios mais tortuosos (será que tudo o que é mais difícil é mais recompensador?), tentando acumular fortunas, colecionar influências, obter honrarias...


Mas um site mostrou-me que o caminho era outro. É o tipo de coisa que as pessoas gastam horas de tratamento, malas de dinheiro, buscando uma resposta sem perceber que a solução está mais próxima do que se imagina. E foi assim que a internet mitigou minha humilde existência.

Olhei para minha coleção de discos de vinil e perguntei a mim mesmo: então eram vocês o tempo todo?! Gurus, terapeutas e mestres são inutéis quando buscamos a nossa volta o que procuramos!





CDX

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

CRÔNICA




NOS TEMPOS DE BLADE RUNNER


Por Leandro CDX Morais

Ah como eu tenho saudades da década de oitenta! Aquela sim era uma época mágica. Tenho saudades de muitas coisas daqueles dias alegres. Naqueles dias você podia se vestir como bem quisesse, tudo era válido! Roupas coloridas, extravagantes, e o melhor: não eram brega. A breguice inventaram depois, já nos anos noventa.

Saudades dos grandes cinemas. Toda cidade tinha um. Antes quem lotava aqueles saguões e poltronas eram os fãs de Indiana Jones e Guerra nas Estrelas (isso mesmo, porque o tal de Star Wars inventaram depois, no final dos anos noventa). Hoje quem frequenta o mesmo espaço de outrora são fiéis buscando desencapetamento total. Todos os grandes cinemas viraram igrejas ou templos.

Sinto falta até mesmo dos detalhes mais frívolos daqueles dias, como por exemplo os anúncios luminosos com tubos de neon. O bom e velho gás nobre, incolor e inerte era magia pura naqueles anos! Tudo na noite divertida e sem limites ele iluminado e colorido por esse gás. Hoje modernizaram tudo. Os velhos luminosos com neon foram suplantados por placas com iluminação interna. Muito mais economia e luminosidade. Muito menos charme.

Os luminosos de outrora tinham a peculiaridade de emitir um zunido singular quando ligado, coisa que nunca souberam me esclarecer porquê. Altas horas da madrugada, o trânsito repousava e os pedestres não passavam. Era o momento que reinavam os letreiros com neon. O centro da cidade (assim como de qualquer outra cidade oitentista, imagino eu) concentrava a maioria dos luminosos com neon. E era na madrugada que eles rompiam o silêncio com sua sinfonia característica. Eram letreiros de restaurantes, padarias, farmácias, das Pernambucanas, do Banco do Brasil e até de lojas que hoje ficam só na memória como a Soesma, Mesbla e Brasileiras.

Uma coisa que começou a melhorar a partir dos anos noventa foi o investimento em iluminação pública. Anteriormente até mesmo as avenidas centrais eram parcamente iluminadas. Assim sendo os locais onde existiam os luminosos com neon eram pontos, digamos, privilegiados para qualquer atividade noturna, como por exemplo a prostituição. Era corriqueiro passar pela madrugada e avistar abaixo de um grande letreiro com neon uma profissional do sexo aguardando o próximo cliente. Salto alto, batom vermelho berrante, mini saia, cabelo com topete a base de cosméticos. Naqueles tempos as mulheres da vida tinham estilo. Lembro-me que a Tina Turner certa vez comentou que para ser sexy na década de oitenta bastava mini saia, batom vermelho e salto alto. E com as pernas que ela tinha estava certa!

As prostitutas tinham um outro padrão. Eram carinhosas, boas de papo e de cama. Valia cada centavo de cruzado investido. Ah que saudade dos anos oitenta! As meninas de hoje não tem o mesmo jogo de cintura. Não sabem conquistar o cliente como as veteranas faziam. Hoje é só "recebo adiantado" , "não beijo" , "não faço isso nem aquilo". Quem se sente prostituído com tantas exigências é você! Antigamente não tinha nada disso.

Só o fato de cobrar antecipado já é um sacrilégio! Pagar por um serviço ainda não realizado pra mim é uma ofensa! A embalagem muitas vezes até é bonita, mas nem sempre o conteúdo corresponde ao esperado. A uns vinte anos atrás o procedimento era outro. A relação cliente/prestadora de serviços era mais amigável. Existia confiança, até porque a menina sabia de seus dotes e sabia que cliente feliz "volta sempre". Ah, anos oitenta!
Um sábado a noite, na década de oitenta, para um solitário era totalmente diferente do que é hoje. Normalmente nosso hipotético amigo oitentista ficava em casa porque seus amigos tinham encontro com as namoradinhas. Então começava a assistir um Super Cine. Como era a trigéssima vez que a Globo exibia Stallone Cobra (naquele mês!), ele decide desligar a TV e ligar o rádio. Quem sabe ouvir um rock lhe ajuda a matar o tempo. Na estação de rádio rolava um RPM. Nosso amigo solitário já está de saco cheio do Paulo Ricardo. Então qual sua opção? Ir em busca de uma prostituta à espera em algum luminoso com neon.

Veste sua jaqueta, calça seu All Star e sai com seu Passat. Até mesmo andar de carro ou de motocicleta era mais divertido nos anos oitenta. Automóveis com quebra-vento e afogador. Cinto de segurança não era necessário apesar de não existir radares controladores de velocidade. As motos eram pura emoção. Ninguém usava capacete. Às vezes não usavam nem camiseta. Era uma vida arriscada mas divertida. Hoje em dia tenho a sensação que morre mais gente no trânsito apesar dos procedimentos de segurança cada vez mais rigorosos. Mas essa é história para uma próxima crônica. Nosso herói, apesar das tossidas do Passat, chega à área dos luminosos com neon. Lá encontra uma garota com uma bolsa vermelha, combinando com seus sapatos e seu batom. É amor a primeira vista! Eles saem rumo a um motelzinho ali perto ao som de Flash Dance no toca-fitas. Isso sim era vida! Como gostava de ser assim. Nosso protagonista de mais de duas décadas atrás hoje é um cronista solteirão amargurado que gostaria que o tempo voltasse.

Atualmente, em tempos de internet dominando tudo, posso afirmar com precisão que os jovens com seus hormônios transbordantes, preferem ficar em casa, buscando uma pornografia asiática na tela do computador, ao invés de se aventurar nas ruas da cidade. Preferem jogos on line do que dirigir carros de verdade. Preferem MSN à uma boa flertada cara à cara. Não é à toa que os pais receiam que seus filhos tornem-se nerds eternos. Pelo menos não tive filhos para passar por esse desgosto.

Dia desses saí para dar uma volta no sábado a noite. Já não era a mesma coisa. Meu carro antes engasgante não sofria mais desse problema: agora ele era flex e tinha injeção eletrônica. Não podia mais ouvir o toca-fitas. Quando troquei de carro o novo modelo veio com CD player com bluetooth. Nunca soube usar aquela porcaria.

Passei lentamente pela antiga avenida dos luminosos. Não havia mais letreiros com neon. E as profissionais do sexo eram todas mal-encaradas. Não tive vontade de parar. Naquele momento senti um vazio no peito. Dei meia volta com os olhos lacrimejantes. Acho que sinto mais falta dos luminosos com neon do que das prostitutas. Elas talvez um dia voltem a ser como eram. Entretanto os letreiros com neon não voltam mais. Ah como eu tenho saudades da década de oitenta!



CDX