segunda-feira, 28 de março de 2011

Resenha do show do Maiden (26/03/11 - São Paulo)



Esse foi o terceiro show do Maiden que tive a felicidade de presenciar, e o primeiro em um estádio. É coisa sem igual! Todo mundo uma vez na vida tem que passar por uma experiência dessas. Muito emocionante (principalmente para quem fica embaixo, na pista): Você ver a "ola" se deslocar de lado a lado do estádio, é de arrepiar!

Chegamos em Sampa por volta de 9:30 da manhã. E já teve gente de coragem que foi direto para a fila no Morumbi. Dá-lhe sol na cabeça e uma espera de quase 12 horas.



Eu como já estou velho e ranzinza para essas coisas deixei quieto. Não sei até que ponto vale a pena o sacrifício e cansaço para pegar um bom lugar na grade. Para mim não vale. Por essas e outras juntei mais um pouco de grana e peguei a pista premium. E a divisão da pista simples para a premium era na metade do campo! Ou seja, por mais cedo que você chegue na fila (tinha gente acampada lá desde o dia anterior), por mais que você lute para estar na grade, estará vendo o show da metade do estádio na melhor das hipóteses.

Se for um show que realmente você quer curtir de perto e com sossêgo, vale pegar a VIP/Premium. Para mim valeu cada centavo. Foi o terceiro e mais próximo show que já vi da donzela.

Pela manhã, enquanto o povo corria para o estádio, eu fui dar aquela geral na galeria do Rock, como é de praxe. Depois almocei com o Garp e mais um pessoal da excursão, e depois fomos ao Shopping Butantã (relativamente próximo ao estádio do São Paulo). Lá tinha ar condicionado, e dava para descansar um pouco até a hora do show. E o povo lá na fila, fritando no sol... Outros fãs de Maiden também tiveram essa idéia de ficar "sussa" até mais próximo do show. Na praça de alimentação você só via camiseta do Iron Maiden!

Ficamos tomando cerveja e conversando. Ás 15hs os portões do Morumbi foram abertos para os fãs. Nós ficamos tomando umas brejas até 18hs... e o povo igual calango no Sol...

Fomos a pé até o estádio, e por volta das 19hs eu já estava lá dentro. Os camaradas que estavam na pista normal, e arquibancadas, também não tiveram maiores problemas para adentrar. Por isso digo que não compensa ficar na fila, independente do lugar que você vai assistir o show.




Eu passei pela revista pessoal, e entrei no estádio. Me surpreendeu a quantidade de ambulantes (autorizados) vendendo bebidas lá dentro. Na área premium tinha uns 8 quiosques fixos e mais uns 20 ambulantes vendendo Antartica Sub Zero a 5 reais. Achei o preço "normal", não era nenhum absurdo. No shopping, por exemplo a cerveja lata era R$4,50.

O que deixou o pessoal meio desconfortável foi a exclusividade pela marca patrocinadora. Eu como prefiro Antartica, foi de boa. Podia ser muito pior. Como no Rock In Rio III em 2001, quando o patrocínio era da Schin (!!!).

Dentro da área premium tinha um posto médico e bastante segurança. Polícia militar, civil, bombeiro, segurança... Tinha também as barraquinhas vendendo produtos oficiais da banda. A camiseta que paguei 30 reais na galeria, lá dentro saía por 70 mangos.

O que acredito ser a maior vantagem da premium (além do óbvio que é ficar mais perto do palco) é a comodidade que você tem. Não precisa chegar cedo para pegar fila, tem dezenas de banheiros nas duas laterais, tem ambulante a cada 10 metros vendendo bebida e comida, e a qualquer momento você pode dar "uma recuada" e sentar um pouco para descansar, ou mesmo se deslocar ao longo do espaço e ver o show de vários ângulos (no meio na galera, mais no fundo, da lateral), coisa que você nem sonha na pista normal. Ainda mais em um público de 50 mil pessoas como era o caso.

Como sou véio, e queria me poupar para a atração principal da noite, assisti boa parte do Cavalera Conspiracy de boa, sentado no chão! Tudo muito tranquilo.

O show dos caras foi curto e direto, como show de abertura tem que ser. O Maiden estava marcado para as 21:30h, mas quando deu 21hs começamos a ouvir os acordes de Doctor, Doctor do UFO. Era o sinal! Dentro de instantes começaria o show dos caras!

O povo começou a aglomerar, mas pasmem: mesmo assim o sossêgo era total. Sem empurra-empurra. Na sequência de Doctor, Doctor, a cortina preta que cobria o palco caiu, e deixou a mostra a estação espacial que seria o palco do Maiden.

O show foi aberto com um clip nos telões da música Satellite 15... The Final Frontier. Eu achava aquela introdução de 4 minutos chata pra cacete e nada haver. Mas parece que ela foi concebida para justamente "casar" com aquele clip no início do show.

Durante os 4 minutos de clip as luzes do pano de fundo do palco se acendem como se fosse o espaço infinito repleto de estrelas, atrás da estação espacial. Outras luzes piscam freneticamente, e nos telões vemos flashs do Eddie alienígena (meio predador, não parece?) fudendo a porra toda! Quando acabou a intro o sexteto entrou detonando.

Bruce como sempre afinado no vocal, mas trash nas suas vestimentas! Sua consultora de moda é uma vaca! Ainda descubro quem falou para ele que aquelas toquinhas de mano são legais e passo uma rasteira na vadia! Esse ano ele veio com uma camiseta com uns rasgos feitos com estilete de colégio. Tosco hein!



Na sequência eles implacaram a El Dorado (clique aqui para ouvir!) e o povão cantou junto. Notasse que a turnê está centrada nos albuns da segunda fase do Bruce no Maiden. Com o retorno do gogó de ouro em 2000, junto com o Adrian Smith na teceira guitarra, visivelmente o Iron mudou sua linha de som. Os albuns Brave New World (2000), Dance of Death (2003), A Matter Of Life And Death (2006) e The Final Frontier (2010) mostram uma tendência mais técnica e progressiva da Donzela de Ferro.




Do playlist do show, oito músicas foram da atual fase e outras oito foram dos clássicos. Do albuns mais novos só o mais fraquinho (AMOLAD) ficou de fora. Tem quem reclamou que o Maiden tinha que ter tocado mais músicas "das antigas". Sinceramente acho que o show foi muito bom e equilibrado, unindo as novas e as antigas canções. Coisa que toda banda faz.

Quem queria ouvir somente os clássicos deveria ter ido a tour anterior que foi dedicada somente aos golden years. E mesmo assim ficou música de fora, pois é impossível sintetizar uma carreira de mais de 30 anos e 15 albuns em duas dezenas de canções...

Fiquei bobo com a mega estrutura de iluminação, composta por "3 naves espaciais" em forma triangular, que desciam e se moviam conforme cada música. A maior parte das minhas surpresas nesse show, deve-se ao fato que, dessa vez, segurei minha curiosidade e não corri atrás de informações da tour no Mr. Google. Deixei-me surpreender música a música. E foi muito legal assim.

Eu esperava a entrada do Eddie meio monstro, meio alienígena, como sempre ocorre em todo show. Ele veio na música The Evil That Men Do, e além de agitar a galera, tocou um solo de guitarra!



Coisa que não esperava era um segundo Eddie. Ele surgiu por detrás do palco durante a execução de Iron Maiden! Um gigante de 8 metros, com os olhos vermelhos! Muito legal!

Dentre as várias músicas, além dos clichês normais em um show do Maiden, como The Trooper com o Dickinson caracterizado, houve momentos diferenciados e bem emocionantes. Talvez o mais legal tenha sido a fala do Bruce antes de começarem Blood Brothers. Ele lembrou do dia do grande terremoto e tsunami no Japão, motivo pelo qual cancelaram os shows no território japonês. Ele dedicou a música a todos os fãs do Maiden no Japão, Líbia, Egito e Síria que padeceram, ou que, apesar das dificuldades permanecem irmãos de sangue do Maiden. Arrupiou tudo meu nego! Até o pelo do saco!

Outra parada emocionante foi na Fear of The Dark, quando todo os estádio se apagou, deixando apenas os isqueiros e celulares a mostra. Isso visto debaixo (da pista) é muito foda. Caceta!

O show ainda reservava a aparição de mais uma figura: durante a batida The Number Of The Beast, surgiu no canto do palco o coisa ruim em pele, chifre e pé de bode! Um puta capetão bufando fumaça pelas ventas!



Minhas únicas decepções foram que tinha uma babaca com um laser verde, apontando para os músicos, o que deixou Bruce extremamente puto, ao ponto dele soltar um "Fuck You" para o filho de uma rapariga no meio da música, quebrando a sequência da canção. Ahhhh... se esse corno tivesse do meu lado! Mas certeza que pegaram esse laser da mão dele e enfiaram no C*! Deve ter saído do estádio parecendo um vagalume!

Coisa que eu estava na espera e não rolou foi um show pirotécnico no final. Isso me desapontou um pouco. Só faltava isso para terminar em grande estilo.

Para fechar com chave de ouro o Maiden executou, já no bis, Running Free, com direito a apresentação da banda pelo Bruce. Teminado o show, foram jogadas palhetas e baquetas para o público. Uma das baquetas do Nicko veio na direção que eu estava. Pulei e quase peguei. Ficou para um cara logo atrás de mim. Sim! Área vip compensa pra caraio!



CDX

Um comentário:

Erasmus Garp disse...

Antarctica eu não tomo, a sub zero é pior ainda que a comum. Faço questão de tomar todas do lado de fora e nenhuma lá dentro. Acho que eu já tinha te falado isso. Bom foi no do Ozzy que era lata de Heineken.

Na hora que começou Number eu dei um berrão tão grande que o pessoal ouviu num raio de 2 metros.. minha voz acabou ali também.. hehe

Uma das peles da bateria q o Nicko arremessou no final foi parar lá no fundão da pista VIP.. todo mundo ali na arquibancada comentou como foi longe.