sábado, 10 de abril de 2010

Crônica da Semana




Maringá, 2.030



Por Leandro CDX Morais

Dia desses adormeci enquanto chovia calmamente lá fora. Eu sou um ávido fã de ficção científica. Devido ao meu gosto, não são raras as vezes em que meus sonhos conduzem por aspectos nebulosos, em outros tempos, outros lugares, outros planetas. Foi em uma dessas versões do meu subconsciente que visualizei minha amada cidade no ano de 2030.
Pra começar, no futuro, tudo que fazia mal, ao homem e ao planeta, foi abolido. Não existiam mais veículos com motores à combustão. Todo tipo de máquina que era alimentada por combustível fóssil for modernizada. De motos à aviões, todos eram alimentados por energia limpa, energia elétrica. Os carros não emitiam mais barulho, e não eram mais fumacentos. Eles já saíam de fábrica com essa nova tecnologia. Os veículos que resistiram tiveram seus motores substituídos por novos propulsores elétricos. Os mais velhinhos que não se enquadravam nessa adaptação foram condenados ao ferro-velho.
No futuro cortaram os cigarros. Nada mais de fumo pra ninguém. As grandes indústrias mantenedoras do tabagismo foram indenizadas em seus prejuízos e extintas. A New Marlboro precisou buscar outros ramos para negócios. Agora eles fabricavam fraldas infantis e material de escritório.
A sociedade do futuro acabou com as bebidas alcoólicas. Nada mais de maltratar o fígado. A tecnologia daqueles tempos propiciou desenvolver cervejas, vinhos, conhaques e toda a gama de bebidas com o mesmo sabor característico, porém sem a adição do venenoso álcool. Não havia mais desculpas para os bebedores de plantão.
A coleta de lixo tornou-se algo sério. Todos eram obrigados a separar seu lixo conforme o material que era confeccionado. E para inibir a produção de lixo por cada residência, a Prefeitura de Maringá cobrava pelo lixo que era produzido. Cada coleta, seu lixo era pesado e emitido uma cobrança.
Muitos tipos de estabelecimentos não existiam mais no futuro. As poucas bibliotecas da cidade foram centralizadas em apenas uma. Mal cuidada e sem respaldo da administração municipal. Afinal de contas ninguém mais se importava com os livros, além dos colecionadores. Isso porque o Kindle (equipamento para leitura de livros em formato digital) tinha tomado o lugar das páginas impressas.
Dessa maneira também não existiam mais livrarias. Nem bancas de jornal. Nem revistarias. Outra coisa que deixou saudade eram os pubs, barzinhos e botecos. Sem bebida alcoólica os donos desses lugares precisaram fechar as portas. Aliás todas as pequenas e médias empresas sucumbiram diante dos grandes conglomerados e grupos empresariais. Uma mesma empresa era controladora desde hospitais até hotéis. Eles fabricavam de lápis à navios.
Outro negócio que foi pro buraco foram os postos de gasolina. Sem a utilização do combustível fóssil, e com a facilidade de abastecer seu carro em uma tomada no conforto do seu lar, os antigos postos não tinham mais sentido de ser. Aliás com a demanda potencializada de energia elétrica, as concessionárias de energia se tornaram as maiores empresas do país. Aqui no Paraná, a Copel tornou-se uma gigante. Através de uma tomada você obtinha serviços de internet, telefonia, sinal de TV além de seu produto primordial, a energia elétrica.
As farmácias, que até alguns anos atrás, proliferavam, encontrando-se quase uma por esquina, foram arrebatadas pelo futuro saudável. Reduziram a um número mínimo, pois a ANVISA não permitia mais a venda de medicamento algum sem prescrição médica. Nem mais um ENGOV podia ser adquirido sem passar por um especialista antes. Exemplo esse tosco, pois claro que com a extinção do álcool potável em forma de cerveja, o ENGOV também perdeu sua finalidade de existir.
O trânsito melhorou muito. Os carros não faziam barulho, não poluíam e também saíam de fábrica com rastreadores e limitadores eletrônicos de velocidade. Tudo exigência do código de trânsito brasileiro, revisado e atualizado. O carro automaticamente detectava, através de sensores espalhados ao longo da via pública, o limite de velocidade permitido, e controlava para que o condutor não o excedesse. Os roubos de veículos tornou-se praticamente nulos. Todo carro podia ser localizado através de seu rastreador em questão de segundos. Contavam por aí casos em que o veículo foi levado pelos larápios, e a polícia localizou o veículo e prendeu os criminosos, antes mesmo do proprietário voltar ao estacionamento e descobrir que o carro tinha sido roubado.
Os crimes de maneira geral foram minimizados. A integração entre as polícias e as políticas educacionais mais eficientes resultaram em uma eficaz maneira de reduzir a criminalidade. As forças policiais estavam mais eficientes e treinadas. Mesmo não utilizando mais armas de fogo (elas também eram proibidas), a instituição policial conseguia manter a ordem, apesar da ampliação do leque de crimes e contravenções. Agora prostituição e venda de bebidas alcoólicas davam cadeia. Contudo, a punição e reabilitação dos infratores era...
Então despertei suando frio e tentando gritar de agonia. O futuro era um pesadelo! Queria passear com meu Simca Chambord, ir a um bar, desses que você coloca uma mesa na calçada para beber sua cerveja e jogar conversa fora com os amigos. Queria poder acender meu cigarro, e fumá-lo enquanto lia meu jornal. Queria ter o direito de passar mal e comprar um sal de frutas. Ou acordar de ressaca e tomar um ENGOV.
Eu não gostava do futuro e sei que ele não gostava de mim. Não queria que meus filhos vivessem em um mundo futuramente assim! Não sem antes viverem o que eu vivi. Todavia eu não podia fazer nada.
Tateei meu criado mudo. Achei meus óculos. Depois de colocá-los, acendi o abajur. Procurei meu relógio de pulso. Eram quatro e quinze da madrugada. Olhei para o calendário. 8 de fevereiro de 2030. O carnaval estava chegando. Eu detesto o carnaval!




CDX

2 comentários:

Domenium disse...

Otima crônica CDX!!!
Agora já que viu o futuro, diga aqui ao seu amigo: "Para que serve a porra das três conchas???"

=D

hauhuahuahuah

CDX, ainda omisso disse...

Kakakakakakaka... acho que as 3 conchas era pro Stallone enfiar no c*!